Nem mesmo o mediano público presente na Arena do Grêmio na última quinta-feira foi capaz de mudar uma verdade: Tite, além de produtivo à frente da seleção brasileira, é também lucrativo para a CBF e para as federações estaduais. Desde que o treinador assumiu o comando da equipe, há um ano, os dirigentes viram a arrecadação com bilheteria nos jogos da seleção dar um salto na mesma proporção em que o Brasil saiu do sexto lugar nas Eliminatórias rumo ao título simbólico da competição com três rodadas de antecedência: um aumento de 122% (da média de R$ 3.956.966 por jogo para R$ 8.816.825).
O que chama mais a atenção é que a média de público dos jogos da seleção com Tite não é maior do que a obtida nos tempos de Dunga. O motivo da diferença na receita é a percepção de que o torcedor está disposto a pagar mais para ver a equipe atual do que aquela treinada pelo ex-volante campeão do mundo em 1994. Antes, o ingresso mais barato saía por R$ 76, em média. Agora, custa R$ 184. Pode ser colocado na conta a evidente diferença de carisma entre o atual treinador e seu antecessor.
Não é apenas a CBF que lucra com o efeito Tite. A politicagem é forte nos bastidores da entidade entre os cartolas das federações estaduais — receber a seleção brasileira também é lucrativo para elas. No acordo válido para as Eliminatórias, 5% da renda bruta de cada jogo foi repassada para a entidade local. Nas partidas com Tite como técnico, as federações de Amazonas, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul lucraram, em média, R$ 430.842,00. Já as de Ceará, Bahia e Pernambuco arrecadaram apenas R$ 197.848,00. Isso sem contar com o aluguel do estádio, valor que pode ser destinado à federação, caso ela seja a administradora.
O desafio da CBF daqui para frente é manter alta a empolgação do torcedor, mesmo com a vaga para a Copa do Mundo e o primeiro lugar nas Eliminatórias já garantidos. Na quinta-feira, contra o Equador, 36.869 pessoas assistiram à vitória na Arena do Grêmio, público que poderia ter sido bem maior — 55 mil ingressos foram colocados à venda. Para se ter uma ideia, quando o jogo ainda valia classificação para o Mundial, recordes foram batidos: a vitória sobre o Paraguai teve o segundo melhor público da história do Itaquerão pós-Copa e a terceira maior arrecadação do futebol brasileiro.
Tite convoca dois substitutos
O último jogo do Brasil nas Eliminatórias será também o último em casa, contra o Chile, na Arena Palmeiras, no dia 10 de outubro. Caso vença as partidas contra Colômbia e Bolívia, chegará a São Paulo em condição de somar 45 pontos, ultrapassar a Argentina de 2001 e se tornar dono da melhor campanha do classificatório da Conmebol desde que o atual formato foi adotado, nas Eliminatórias para a Copa de 1998. Talvez esse seja o mote para a seleção de Tite lotar a casa palmeirense e, mais uma vez, fazer muito dinheiro. Até porque, no primeiro tempo contra o Equador, o ritmo da equipe deixou impressão de que nem mesmo os próprios jogadores estavam muito interessados nas Eliminatórias.
— Não vejo zona de conforto (pela classificação garantida), e sim de afirmação. Eu disse aos jogadores no intervalo que o nível competitivo havia sido mais baixo, e eles têm consciência disso — resumiu o treinador.
Ontem, Tite convocou o zagueiro Jemerson, do Monaco, e o lateral-esquerdo Alex Sandro, da Juventus, para substituir Miranda, machucado, e Marcelo, suspenso. No entanto, contra a Colômbia, na terça, em Barranquilla, Thiago Silva e Filipe Luís serão os titulares.

