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Ouro nos Jogos do Rio no Futebol de 5, Ricardinho conseguiu cinco patrocínios em 2017

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Imagine que o melhor jogador de futebol do mundo, eleito duas vezes, dono de três medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos, dependia de ônibus e trem até ontem. Morador da Zona Sul de Porto Alegre (RS), Ricardinho, de 29 anos, autor do gol que levou a seleção brasileira de futebol de 5 ao ouro nos Jogos do Rio, demorava cerca de 1h30 para chegar em Canoas, na região metropolitana, para treinar. Tinha de ir ao Centro de ônibus e depois pegar um trem para chegar na Agafuc (Associação Gaúcha de Fistal para Cegos). Enfrentava a falta de acessibilidade nas ruas da capital gaúcha e pedia ajuda para as pessoas lhe indicarem o transporte correto. Foi só depois da Rio-2016, em que o Brasil ganhou o ouro com campanha invicta, que ele conseguiu melhorar essa situação. Agora, ele chama um Cabify e vai trabalhar.

O patrocínio com a empresa de transporte privado via aplicativo fez com que ele ganhasse mais de uma hora nesse processo. Mesmo em ano de crise econômica e fuga de patrocinadores até do esporte olímpico, ele fechou cinco novas parcerias em 2017. Até com restaurante japonês, o Sambô Sushi, que pega carona na sede da próxima Paralimpíada, em Tóquio, em 2020.

-Ganhei conforto e segurança. Para mim faz muita diferença poder contar com um motorista porque eu não posso dirigir e não podia depender de alguém da família para ficar me levando. Eu gosto de andar sozinho - diz Ricardinho, deficiente visual desde os 8 anos, quando submeteu-se a mais de cinco cirurgias para reverter o deslocamento de retina.

O sucesso do futebol de 5 na Rio-2016 foi evidente. A arena do Parque Olímpico e Paralímpico ficava lotava com frequência e o público teimava em fazer barulho, mesmo sendo proibido. Os atletas precisam ouvir o guizo da bola para poder jogar. Tudo era festa.

Após o ouro, Ricardinho conta que passou a ser mais reconhecido nas ruas, apesar da carreira já vitoriosa.

- É impressionante a visibilidade. Esse foi o ano do reconhecimento. Nas ruas sou parado direto. Às vezes lembram meu nome ou chutam algo no diminutivo - conta o jogador, que em 2016 fraturou o tornozelo esquerdo, teve de operar e quase desfalcou o Brasil na Paralimpíada. - O brasileiro conheceu o nosso esporte e entendeu que somos profissionais e brigamos por medalha. O esporte paralímpico é inclusivo no início, na base, mas depois, no adulto, de exclusão. Tem muito mais bons atletas do que vaga na seleção.

Ricardinho e a seleção treinam para a disputa da Copa América, de 19 a 27 de novembro, em Santiago, Chile. O Brasil, líder do ranking mundial, segundo a Federação Internacional de Esportes para Cegos, abriu mão de duas competições preparatórias por causa da condição física de alguns atletas. Faz, no entanto, desde o início do ano e todos os meses, treinamentos em São Paulo, no Centro de Treinamento do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Pelo clube Agafuc, em maio, Ricardinho e seus companheiros recuperaram o título do Regional Sul, em decisão contra o rival Acergs/RS. Ricardinho foi o artilheiro do torneio com sete gols.

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