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Moscou vê, domingo, seu último jogo importante antes da Copa

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MOSCOU - Moscou se despede domingo das competições da Fifa com Chile x Austrália, na Arena Spartak. Mas só por um tempo. Da próxima vez em que a bola rolar na capital russa, em um torneio neste porte, será no reformado Estádio Luzhniki, local da abertura, do encerramento e de mais cinco jogos da Copa do Mundo de 2018. Ícone das Olimpíadas de 1980, ele foi totalmente desfigurado por dentro, mas a fachada histórica e a estátua de Lênin seguem de pé, tombadas pelo patrimônio da cidade.

Diferentemente do que aconteceu durante a reforma do interior do Maracanã, cuja fachada também foi preservada, a desconfiguração interior não aborrece tanto assim a maior parte dos moscovitas, que têm no estádio uma fonte de orgulho pela realização de uma das maiores olimpíadas da Guerra Fria. Assim como a geral do Mário Filho, alguns ícones também se foram no Luzhniki, ou Estádio Central Lênin, como a pista de atletismo e as arquibancadas em tons de vermelho, laranja e amarelo, local onde o mundo viu o mascote Misha chorar no encerramento. Mas o sentimento é de enxugar as lágrimas, não de lamentação.

— O novo estádio será muito mais conveniente. Externamente, a fachada está quase intocada. Agora, dentro, tem um design melhor, mais cadeiras para a torcida. Eu acho que foi uma boa mudança — disse o produtor e programador Denis Domarev.

A capacidade aumentou de 78 mil para 81 mil lugares. Com a pista removida, as cadeiras puderam avançar, e o ângulo de inclinação dos assentos mudou para que não haja ponto cego, uma exigência da Fifa. Antes, cerca de 7,8 mil lugares tinham visão obstruída total ou parcialmente.

— Foi uma boa ideia remover a pista de atletismo. Agora, tem aparência moderna. Sobre o fator histórico, bem, a fachada está a salvo. Então, não há nada do que se arrepender — declarou o jornalista Mikhail Biryukov.

Em reais, a Arena do Lyon, na França, feita para a Eurocopa 2016, custou R$ 2 bilhões. No último balanço, as despesas da reforma do Luzhniki estava uns R$ 200 mil abaixo. Os custos, sim, são polêmicos.

— É muito dinheiro, mas estamos falando da arena principal da Rússia e talvez tenha valido a pena — ponderou Mikhail.

— Eu duvido que todo este dinheiro tenha sido empregado corretamente. Pode ter sido desperdiçado ou roubado. Eu realmente fico imaginando o que poderia ter sido construído. Por isso, torço para o Luzhniki realmente virar um estádio de primeira classe mundial — rebateu Domarev.

— Muito dinheiro é gasto para fazer qualquer Copa do Mundo. E estamos falando do nosso estádio nacional — completou o também jornalista Danny Armstrong, que, apesar do nome, é russo.

O interior do estádio é parecido com o das arenas do Brasil, reformadas ou construídas para a Copa de 2014, num padrão imposto pela Fifa. Assim como no Maracanã, a cobertura do Luzhniki deu problema e precisou ser ampliada para proteger da chuva os torcedores sentados nas primeiras fileiras. Isso aumentou o custo em alguns milhões.

Após ter iniciado as obras em 2013, a previsão do município de Moscou é entregar o estádio ao fim da Copa das Confederações, dando continuidade ao embalo do evento. Mas, para isso, falta acabar com as obras no entorno. Ontem, ainda havia muitos operários, máquinas, veículos e entulho nas ruas de acesso.

O estádio fica à beira do Rio Moscou. De uma estação de metrô central, como a bela Mayakovskaya ou a Belorusskaya à Sportivnaya, próxima ao Luzhniki, o trajeto leva menos de 20 minutos.

Além do metrô, é possível chegar de trem pela estação Luzhniki ao estádio que tem o mesmo nome, erguido nos anos 1950 como demonstração de poder da antiga União Soviética. Ao fundo, é possível ver uma das imponentes “sete irmãs” de Stálin, conjunto de arranha-céus com arquitetura classicista soviética.

legado da copa

As estações de trem e metrô já são capazes de receber torcedores e turistas. Todas as placas estão com traduções em inglês. Ao redor do estádio, a prefeitura de Moscou promete deixar como legado uma área de lazer para os moradores da região.

Ao redor do complexo, oito fontes históricas foram recuperadas com o material original, de granito Kapustinsk, segundo informou o secretário de obras, Marat Khusnullin. À noite, já é possível ver o estádio aceso, iluminado com as cores da bandeira russa. Na Copa, a área da cobertura, de 40 mil metros quadrados, servirá como um projetor de imagens.

Para o secretário de esportes e turismo da cidade, Nikolay Gulyaev, a evolução da cidade como um todo faz parte de um programa mais abrangente e não apenas voltado para o Mundial. Parte da cidade está em obras, mesmo distantes dos locais da Copa.

— Sediar um grande evento como a Copa do Mundo é sempre bom para o desenvolvimento da infraestrutura da cidade. Mas Moscou está crescendo por conta própria, com ou sem estes eventos — disse Gulyaev.

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