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Islandeses cariocas vibram com resultado histórico

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O histórico resultado da Islândia, que empatou com a Argentina na sua estreia em copas, foi motivo de orgulho para uma pequena, mas vibrante, torcida no Rio. Desde cedo, os únicos três islandeses residentes do Rio estavam reunidos num apartamento em Copacabana para acompanhar o que seria um jogo a entrar na história. Ao lado deles, estavam outros 10 simpatizantes, que ajudaram a entoar os cantos de apoio ao time.

O carisma da seleção islandesa, aliado à rivalidade entre Brasil e Argentina, fez com que a torcida do pequeno país europeu, o menor da história da Copa, . Entretanto, era difícil encontrar alguém que soubesse pronunciar todos os nomes dos jogadores, ou cantar as gritos corretamente, pelas ruas da cidade. Tarefa simples no reduto islandês carioca.

Antes do jogo começar, todos levantaram e cantaram o hino islandês, mostrando que aquela reunião era coisa séria. A cada lance de perigo do ataque, ou nos cortes precisos da defesa e do goleiro (o que foi mais frequente), os torcedores gritavam Áfram Island, algo como “vai para cima, Islândia,” e executavam a já clássica palma viking, que ficou eternizada na Eurocopa de 2016.

Nem o gol de Aguero foi suficiente para desanimar os islandeses e seus companheiros. Enquanto a partida parecia mais à feição dos hermanos, a resposta era fazer mais palmas vikings. E a energia positiva deu certo. Poucos minutos depois, Finnbogasson empatou o jogo, para delírio dos torcedores.

No intervalo, o professor e escritor Hannes Gissurarson, que mora no Brasil desde 2007, avisou que separaria uma champagne.

— Se ganharmos, vamos abrir. Mas se perdermos, vamos tomar do mesmo jeito, para amenizar a tristeza — informara o bem-humorado islandês.

Gissurarson é um escritor, especialista em filosofia política, de renome na Islândia. Mas foi o Rio que o conquistou. Ele esteve na cidade pela primeira vez em 1993, em razão de uma conferência. Desde então, voltou ao Brasil diversas vezes, até que em 2007 resolveu comprar uma casa. Foi no seu apartamento, em Copacabana, que foi montada a base islandesa para o jogo contra a Argentina. A ideia é que o encontro se repita nas próximas partidas.

— Eu me divido, fico seis meses aqui e seis meses na Islândia. Lá é onde dou mais aulas e palestras, já aqui é onde tenho inspiração para escrever. Tenho muitos amigos cariocas, e gosto de beber nos quiosques da praia nos fins das tardes — explicou Gissurarson, que se considera um carioca adotado. — Os problemas aqui são a violência, a pobreza e a corrupção, que não existem muito na Islândia. Mas aqui há o sorriso das pessoas, a praia.

Os outros dois islandeses no Rio são da família Weglinski: a professora de piano Sica, e seu filho, o cineasta Thor Weglinski. Os três se conheceram através de amigos em comum do cônsul islandês na cidade, o norueguês Tom Ringseth. Segundo o Consulado, não há outro islandês na cidade.

— Eu ficava procurando no facebook, mas era difícil achar. Os islandeses são raridade pelo mundo — brincou Gissurarson.

A população reduzida do país — são 330 mil habitantes — é um convite para as coincidências. E houve uma bastante curiosa nesse sábado. Thor Wieglinski, que admitira estar um pouco descrente com o time antes do jogo, viu seu homônimo, Thor Halldórsson, ser o melhor em campo contra a Argentina. O goleiro defendeu o pênalti cobrado por Messi, e fez outras defesas providenciais. E as coincidências não param no nome, pois ambos são também cineastas.

— Eu nunca imaginei que fôssemos segurar a Argentina. Minha expectativa não era essa; eu vi a vitória contra Gana no último amistoso, mas achei a atuação ruim. Agora está sendo um momento fantástico, nos defendemos muito bem. O Thor certamente foi o melhor em campo. Depois do empate, cresceu a minha esperança em ganhar os próximos jogos — afirmou Wieglinski, que se esforça em encontrar transmissões das partidas da Islândia. — Normalmente, é raro achar um amistoso passando na TV. Na Eurocopa foi bom porque houve uma visibilidade maior.

Para Sica, que se mudou para o Brasil em 1989 após se casar com o brasileiro Paulo Malaguti, o empate em 1 a 1 teve sabor de vitória.

— O goleiro foi fundamental, e o time surpreendente — disse a professora de piano, que conheceu o brasileiro em Boston, onde foi estudar o instrumento.

Com um empate tão comemorado, é claro que o champagne foi servido ao final. Ou melhor, três. Um para cada gol do jogo, e mais outro para a defesa do pênalti, explicou Gissurarson.

— Estamos com muito orgulho do nosso país. Só participar da Copa já é um milagre. Segurar a Argentina foi outro.

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