A torcedora do Avaí flagrada em vídeo proferindo ofensas racistas e xenofóbicas contra torcedores do Remo durante jogo na Ressacada, no sábado (15), se manifestou após a repercussão do caso. Identificada como Ana Costa, ela aparece dizendo frases como “olha tua cor” e “pobre aqui não fica”.
Sua defesa afirmou, em nota, que o vídeo “não retrata seu comportamento habitual”, alegou que ela estava emocionalmente abalada por conflitos no estádio e que havia sido alvo de provocações anteriores. A torcedora deverá prestar depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira (19). Um homem que também aparece fazendo ofensas ainda não foi identificado.
O caso gerou grande repercussão e motivou a abertura de investigações. O Ministério Público de Santa Catarina instaurou, de ofício, um procedimento para apurar possível crime de racismo e xenofobia. A promotoria também pretende avaliar as medidas tomadas pelo Avaí e recomendar ações preventivas. O racismo é crime inafiançável e imprescritível, com pena prevista de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.
Entidades do futebol se manifestaram com veemência. A Federação Paraense de Futebol repudiou o episódio, classificou as cenas como atos criminosos e informou que acionou a CBF e a Federação Catarinense. O Avaí declarou que já identificou a torcedora, que será banida dos eventos do clube por tempo indeterminado, e disse que colaborará com as autoridades. O Remo também condenou o caso, chamando-o de “repugnante” e exigindo responsabilização.
Além disso, um trecho do vídeo mostra Ana Costa fazendo referência a declarações do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), sobre o envio de pessoas em situação de vulnerabilidade para fora da cidade, o que levou a Defensoria Pública a investigar a atuação da assistência social local.

