A Justiça do Rio decide hoje se estende a prisão temporária do presidente licenciado do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Comitê Organizador Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, e do ex-diretor de operações do Rio-2016, Leonardo Gryner. Os dois estão presos desde quinta-feira passada para evitar que interferão nas investigações da Operação “Unflairplay”.
Nuzman é suspeito de intermediar a compra de votos de integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a eleição do Rio como sede da Olimpíada de 2016.
Embora negue interferência na votação para sede olímpica, o envolvimento de Nuzman com o senegalês Papa Diack — filho de Lamine Diack, ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, e, à época, membro influente do Comitê Olímpico Internacional (COI) — é reforçado pelo depoimento da ex-secretária do dirigente, Maria Celeste Pedrosa, à Polícia Federal.
No documento de quatro páginas, a que o “Fantástico”, da Rede Globo, e o GLOBO tiveram acesso, Maria Celeste conta conhecer Papa Diack de vista e diz que começou a receber e-mails dele ainda antes da eleição que escolheu o Rio sede dos Jogos. Segundo ela, alguém no COB parou de responder ao empresário e, por ser a secretária do presidente, o senegalês a procurou de forma insistente.
Maria Celeste revela ainda que imprimia os e-mails e relatava as ligações a Nuzman, que apenas dizia não saber do que se tratava. E que, se respondeu a algum e-mail do senegalês, foi porque, pelo seu cargo, “precisava ser educada com o remetente”.
‘Pessoalmente decepcionada’
A ex-funcionária de Nuzman relata ter suposto que a cobrança de dinheiro se tratava de algo que envolvesse caridade, como, por exemplo, uma reforma de pista de atletismo na África, “já que fizemos ações parecidas com o Pelé.”
No entanto, diz ter desconfiado quando Papa Diack cobrou que o presidente do COB fizesse um depósito em uma conta em Moscou e não no Senegal, já que em tese, o dinheiro seria usado na África.
Maria Celeste chegou a dizer estar pessoalmente decepcionada com as notícias que envolvem Gryner e Nuzman, com quem conviveu amigavelmente no trabalho.

