O que podem dizer os torcedores argentinos sobre o pedido de brasileiros e chilenos nas redes sociais para que o líder das eliminatórias jogue para perder amanhã? Do ponto de vista da ética e das responsabilidade profissionais dos jogadores de futebol, é lógico que a intenção é vista com indignação por tratar-se de um momento crítico do time de Lionel Messi, cuja classificação para a Rússia periga como nunca.
Pouco mais de um ano atrás, era o Brasil que penava nas eliminatórias, até que o rumo foi mudado com a chegada de Tite e o ouro nos Jogos Olímpicos. A Argentina, em compensação, vive um processo instável. Vice-campeã mundial em 2014, desde então já mudou três vezes de treinador, nunca encontrou uma linha de jogo e jamais conseguiu se desapegar da dependência de Messi. As eliminações na Copa América e Copa América Centenário, ambas em pênaltis, influenciam psicologicamente.
Que torcedores brasileiros e chilenos se unam nas redes para que Neymar e seus companheiros deem uma mão a Alexis Sánchez e companhia e deixem a Argentina com Messi fora do Mundial é compreensível. Depois do “Brasil, decime qué se siente” cantado em estádios, ruas, praias, aeroporto e restaurantes por simpatizantes argentinos, às vezes com certa cota de agressividade, as relações não ficaram bem. Notou-se especialmente nos Jogos do Rio, com vaias ao hino “blanquiceleste”, derrotas de atletas festejadas e até com brigas no estádio de tênis enquanto jogava Juan Martín del Potro.
Ao contrário da euforia que se percebe nas redes com a hashtag #EntregaBrasil, na argentina se escuta, se lê, mas não há histeria sobre o assunto. A maioria está preocupada com o time dirigido por Sampaoli, que não apenas não joga bem, como não ganha e nem faz gols. O que mais inquieta é saber o que fará a seleção para ganhar na altitude de Quito, onde só se impôs em uma ocasião: agosto de 2001. São dias de tensão, ansiedade e angústia. O torcedor argentino não tem muita margem hoje para pensar em Neymar e seu time.

