Maior participação dos atletas na escolha do presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e até a queda das barreiras para as candidaturas farão parte da nova proposta de estatuto da entidade. Os conceitos estarão lá, mas as regras ainda estão sendo discutidas. Além disso, esse texto será encaminhado para análise do Comitê Olímpico Internacional (COI) antes da votação pelos membros da assembleia, no dia 22.
Quem garante é o presidente da Confederação Brasileira de Vela, Marco Aurélio de Sá Ribeiro, que não adiantou os detalhes das propostas, já que o texto será finalizado pela comissão de reforma do estatuto, da qual faz parte ao lado de Ricardo Machado (presidente da Confederação Brasileira de Esgrima), José Antônio Fernandes (atletismo) e do judoca Tiago Camilo.
O grupo foi escolhido em assembleia do COB, no dia 11, após posse de Paulo Wanderley.
— Entendo que o COB encaminhará o texto para um “de acordo”. Porque terá de ser reconhecido pelo COI. Não é para pedir aprovação — desconversa Marco Aurélio, que ontem esteve reunido com representantes da “Atletas pelo Brasil” e do “Sou do Esporte”, únicas organizações da sociedade civil que foram convidadas a contribuir com sugestões. — Começamos a chegar a um grande acordo. E a participação dos atletas nessas frentes (colégio eleitoral e candidatura), além de questões de governança, estarão contempladas.
O ex-jogador Raí, que preside a “Atletas pelo Brasil”, saiu da reunião esperançoso, apesar de acreditar que o processo deveria ser conduzido de forma ampla, com mais participação externa, e mais tempo de debate.
— O estatuto “vai abrir”, e os atletas terão mais participação. Nossas sugestões foram bem aceitas. Estou confiante — diz Raí, ao ressaltar que o texto final terá de ser aprovado em assembleia. — Não temos certeza do que será proposto e aprovado.
Ele acrescenta que, tendo em vista a urgência para a mudança estatutária, tanto perante ao COI — que, na terça-feira, revogou parcialmente a suspensão do COB — quanto ao Ministério do Esporte, que cobra maior transparência, é compreensível que o processo esteja acelerado. Assim, a “Atletas pelo Brasil” sugeriu a inclusão no estatuto de um dispositivo que garanta revisão dois anos antes da assembleia para escolha do presidente. Segundo Raí, essa medida mantém viva o processo de revisão da governança, principalmente em uma organização que vive choque de cultura.
Na semana passada, Gustavo Borges, Flávio Canto, Patrícia Medrado, Magic Paula e Ricardo Vidal se encontraram com essa comissão e apresentaram reivindicações da “Atletas pelo Brasil”. Pediram proporcionalidade de votos entre confederações (50%) e atletas (50%) e garantia de quórum mínimo de 1/3 de representantes de atletas para alterações estatutárias e eleições (hoje, os atletas têm direito a apenas um voto). Segundo Raí, a proporcionalidade seria estudada.
Na escolha para presidente, o pedido foi para ampliar ao máximo a participação dos atletas, dentro das regras da Carta Olímpica (prevê amioria dos votos para as confederações), além da queda nas barreiras para as candidaturas (hoje, somente presidente de confederação tem direito a se candidatar, respaldado por outros dez):
— O pedido foi no sentido de derrubar qualquer cláusula de barreira. Ou seja, que qualquer pessoa possa concorrer. Os advogados presentes, aliás, não se manifestaram contra esse item.
Também foi reivindicada a criação de um conselho de administração, com confederações, mas com maioria de membros independentes, além de três representantes dos atletas (eleitos por assembleia geral). Indicaram ainda a contratação de um gerente de auditoria interna e conformidade, com autonomia para gerir e fiscalizar os processos internos:
— Estamos dando um voto de confiança porque acreditamos que esse é o momento para as mudanças. Acho que a chave é a mobilização e organização dos atletas. Se as mudanças não forem suficientes no nosso entender, teremos de nos mobilizar.
Ontem, o COB demitiu o secretário-geral e diretor financeiro Sérgio Lobo. Ele estava na entidade desde 2002, era braço direito do ex-presidente Carlos Arthur Nuzman, e recebia um dos maiores salários do comitê.

