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CBT vê 'cenário promissor' para legado de Fonseca após 'falhas' com Guga

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Os primeiros passos de João Fonseca como tenista profissional apontam para uma caminhada rumo à idolatria nacional, e a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) quer aproveitar os resultados do jovem para construir um legado esportivo, o que não aconteceu nos tempos de Gustavo Kuerten, o Guga.

Guga foi tricampeão de Roland Garros (1997, 2000 e 2001) e alcançou o topo do ranking mundial em dezembro de 2000. Rafael Westrupp, atual presidente da CBT, avalia que houve "falhas" na época, mas afirma que o "cenário atual é completamente diferente"

"Não tenho dúvidas de que houve falhas, sobretudo na gestão até 2004. Houve a necessidade, em 2005, de uma verdadeira revolução institucional. Nosso cenário atual é completamente diferente. A CBT hoje tem credibilidade, recursos financeiros, planejamento, diálogo transparente e preocupação com tenistas e técnicos, federações estaduais e promotores de eventos, e tem patrocinadores fortes e longevos."

"A comunidade do tênis acreditou nos últimos 15 anos da gestão da CBT, e o nosso cenário é promissor. Embora a busca pela melhoria deva ser um ato constante, não vejo a necessidade de fazer diferente, pois a comunidade do tênis brasileiro, juntamente com a CBT, já vem fazendo a diferença no período já citado", completou.

João Fonseca se tornou sensação do tênis mundial e ganhou elogios de nomes de peso da modalidade, como os espanhóis Carlos Alcaraz e Rafael Nadal, o sérvio Novak Djokovic e o britânico Andy Murray.

Aos 18 anos, o brasileiro se tornou o décimo campeão mais jovem da Era ATP ao conquistar o título do ATP 250 de Buenos Aires. Não à toa, chegou muito bem cotado ao Rio Open, mas acabou perdendo para o francês Alexandre Müller (60°) por 2 sets a 0 (parciais de 6-1 e 7-6) e se despediu na primeira rodada da competição.

"A confederação, por meio da execução do seu planejamento estratégico, escrito em 2017, já vem implementando o Programa de Desenvolvimento do Tênis Brasileiro. Um calendário robusto de torneios infanto-juvenis (nacionais e internacionais), investimento em talentos jovens, ou seja, foco no aumento da massa crítica do alto rendimento à base do esporte. Muito investimento em capacitação teórica e prática", apontou.

Westrupp enaltece que, ao longo dos últimos anos, "mais de 7 mil professores/treinadores" passaram pelos cursos da confederação e, entre 2004 e 2018, houve a incrementação "de mais de 450% no número de torneios internacionais profissionais realizados no Brasil, oportunizando assim, que um tenista brasileiro ganhe a premiação em dólares e gaste em reais. Além de poder jogar "em casa", e ganhar pontos para subir no ranking".

O QUE MAIS ELE FALOU?

Como a confederação vê esse fenômeno João Fonseca? "Já tínhamos muita noção e confiança de que o João iria crescer gradativamente e com potencial para chegar a ser um grande tenista profissional. Mas, como todo fenômeno, vem surpreendendo a todos com a velocidade deste crescimento. Quero registrar aqui um destaque especial à família e comissão técnica do João. Eles são os grandes responsáveis por tudo o que está acontecendo".

Qual é a avaliação sobre esse momento do tênis brasileiro? "É um momento ímpar, que já vem sendo construído desde 2005. Naturalmente, todo o processo de transformação leva anos, e a consolidação deste cenário atual se dá pela junção de vários fatores. Um deles, com certeza, é a estrutura sólida da Confederação Brasileira de Tênis em todas as áreas".

A confederação já sentiu os efeitos em relação aos bons resultados dele? Houve uma procura maior de pessoas querendo praticar ou de marcas querendo patrocinar, por exemplo? "O tênis brasileiro vem numa crescente notória há mais de uma década. É importante ressaltar que além do João, outros grandes tenistas brasileiros já vinham atraindo a atenção do público brasileiro pelo tênis. Bia Maia, Luísa Stefani, Laura Pigossi, Tiago Monteiro, Wild, entre muitos outros, já trouxeram esta atratividade e inspiração para a nova geração. Outro fator que comprova este interesse geral, é o volume de torneios de transmissão na TV. As empresas de televisão estão investindo muito nos direitos de TV dos torneios de tênis, o que só comprova que o interesse é enorme por meio da audiência".

Você citou recursos financeiros. "O legado financeiro e administrativo que a Confederação Brasileira de Tênis vem construindo também é muito relevante. Dois patrocinadores muito fortes (Banco BRB e Engie Brasil Energia), que somados aos outros seis patrocinadores, dão condições para que estejamos neste patamar atual e para que possamos seguir melhorando e entregando cada vez mais ao tênis brasileiro.O Brasil está recebendo o Rio Open, Brasil Juniors Cup e Banana Bowl em fevereiro. Qual é a importância dessas competições? "Todas têm uma importância inestimável, cada qual no seu contexto. O Rio Open é o torneio profissional mais importante da América do Sul, e oferece inúmeras possibilidades aos nossos tenistas, técnicos e fãs. O Brasil Juniors Cup e o Banana Bowl estão entre os principais torneios infanto-juvenis do mundo. A nossa garotada tem um mar de oportunidades de desenvolvimento tenístico, jogando no quintal de casa. Estes dois torneios são realizados pela CBT, em parceria com as federações. O João Fonseca, por exemplo, foi vice-campeão do Banana Bowl em 2023 (na cidade de Criciúma)".Como é o trabalho que tem sido feito com os mais jovens, que em breve podem também brilhar no cenário mundial? "Temos um programa de desenvolvimento, com projetos que englobam semanas de treinamento, participação em torneios nacionais e internacionais, inclusão dos melhores jovens nos times da Copa Davis e da Billie Jean King Cup para serem 'sparring partners' dos profissionais, entre tantas outras iniciativas. Destaco aqui também os convênios que o Brasil tem com os países do Grand Slam. Por meio da CBT e da Confederação Sul-americana de Tênis, somos o único país no mundo com parceria com Roland Garros, Wimbledon e Australian Open. Estas parcerias geram oportunidades para nossos jovens poderem competir nos maiores torneios do mundo. E de graça (com tudo pago pela CBT, COSAT, e as federações do Grand Slam)".Alexandre Farias foi eleito novo presidente da CBT e assume o cargo no começo de março. Como tem sido a transição? "A transição tem sido a mais saudável possível. Desde o final de 2024 me coloquei inteiramente à disposição, já tive muitas conversas com o presidente eleito, e tivemos reuniões de trabalho na própria sede (incluindo os colaboradores) para facilitar este processo ao Alexandre Farias e a sua diretoria. O melhor para o tênis brasileiro".

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