SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Rony balançou as redes pela primeira vez com a camisa do Atlético-MG, na vitória por 2 a 0 sobre o Tocantinópolis pela Copa do Brasil, em um momento bem distinto de quando começou. Se o primeiro gol lhe rendeu R$ 1.000, agora ele já não tem mais preocupação financeira por tudo que conquistou no futebol.
O atacante de 29 anos é o maior artilheiro da história do Palmeiras na Libertadores, com 23 gols, e soma 17 títulos no currículo, sendo 11 conquistados com a camisa alviverde. Agora no Galo, ele espera render o mesmo que no clube anterior.
TRAJETÓRIA DE SUPERAÇÃO
Natural de Magalhães Barata, no Pará, Rony enfrentou desafios desde a infância. Criado apenas pela mãe ao lado de quatro irmãos, trabalhou desde cedo para ajudar a família. Atuou como mecânico e motoboy antes de ingressar na base do Remo, onde foi apoiado financeiramente pelo então diretor Paulinho Araújo.
A carreira quase foi interrompida antes mesmo de deslanchar. O atacante pensou em desistir do futebol, mas teve incentivo de treinadores como Walter Lima e João Nassar, o Netão, que atuaram na base do Remo. A grande chance veio pelas mãos de Agnaldo de Jesus, primeiro técnico de Rony no time profissional.
"Eu fui a pessoa que tirou o Rony da base e trouxe para o profissional. Quando assumi o time principal, fui chamado para observar alguns jogadores da base. Quando vi aquele menino de 'canela seca' dando aqueles tapas no fundo, percebi que ele era diferente. Precisava ser lapidado, mas já mostrava algo especial", disse Agnaldo de Jesus, ex-técnico de Rony.
A estreia ocorreu no dia 26 de março de 2014, pelo segundo turno da Taça do Pará, contra o São Francisco. O adversário abriu o placar, e Rony entrou no segundo tempo. Logo na segunda vez que tocou na bola, marcou o gol de empate - o primeiro da carreira como profissional. A atuação rendeu um prêmio inesperado.
"O presidente do Remo na época, Zeca Pirão, reuniu todo mundo e disse: 'Moleque, se tu entrar no jogo e fizer um gol, eu te dou R$ 1.000.' O Rony não ganhava nada na base. Ele entrou, fez o gol e levou o dinheiro. São histórias que talvez nunca mais aconteçam."
Com o dinheiro do prêmio, ele ajudou sua família. "O Rony comprou roupa e ajudou a mãe. Ele tem uma paixão muito grande por ela. Trabalhou como mecânico, motoboy, fazia o que podia para ajudar a mãe e os irmãos", conta Agnaldo.
RECONHECIMENTO E GRATIDÃO
nesta sexta-feira (21) empresário do ramo de transportes, Agnaldo se orgulha de ter sido o primeiro treinador a dar uma chance ao atacante. "Eu apostei, acreditei, meus olhos viram o que Palmeiras, Athletico-PR, Náutico e Atlético-MG viram depois. É emocionante ver onde ele chegou. Vi aquele menino humilde e tive coragem de colocá-lo no time. Ele deu uma resposta positiva, e isso me deixa muito grato."
NOVO CICLO NO ATLÉTICO-MG
Rony estreou pelo Galo na vitória por 2 a 0 sobre o Tombense, entrando no segundo tempo. E na terça fez seu primeiro gol com a nova camisa após deixar o Palmeiras. Para Agnaldo, a mudança foi acertada.
"A vida é feita de ciclos, e o dele no Palmeiras chegou ao fim. Foi uma decisão correta, porque, quando a empresa não te quer mais, é preciso entender. Ele saiu por cima, com 11 títulos e como maior artilheiro do Palmeiras na Libertadores. Isso não é para qualquer um."
A mãe de Rony segue morando em Magalhães Barata, onde o atacante construiu uma casa para ela. O pai, que o abandonou na infância, vive em uma cidade próxima. Apesar da relação distante, os dois voltaram a se comunicar. "O pai dele não aceita muito ser ajudado, pelas escolhas que fez. Mas, quando pode, Rony dá suporte, ainda que não seja frequente."



