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Todos somos covardes pela criminalidade

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Por Espaço Crítico
04/09/2022 17h10 — em Espaço Crítico

Caros leitores, poderia estar escrevendo sobre a elevação do Amazonas a categoria de província em 1850, ou sobre a Independência do Brasil, fatos marcantes nesta semana, mas prefiro exteriorizar a minha indignação com a segurança em nossa cidade, que ainda tem aspectos de província, mas com uma insegurança absurda. Basta olhar os noticiários de televisão.

Claro que O Rio de Janeiro é a cidade da carnificina, segundo um jornal londrino. São Paulo virou terra de ninguém, com a vertiginosa repetição de chacinas e criminosos sem face (quem matou os prefeitos petistas Celso Daniel, de Santo André, e Toninho, de Campinas?).

Em Brasília, a ação mafiosa produz uma morte violenta a cada 24 horas. Vitória (ES) foi ocupada pela bandidagem, que desafia uma Força Nacional de Operação. Belo Horizonte avança nas estatísticas da morte por nada. Há mais de 1 mil assassínios sem autoria identificada. A violência grassa como erva daninha Brasil afora. O velho costume da porta sem tramela noite inteira, como ocorria nas cidades do interior, virou narrativa de velhos moradores.

O crime organizado se espalha por todos os cantos, treinando seu exército de “aviõezinhos”, crianças e adolescentes, usados para movimentar o comércio de drogas. Quando o “capo” imagina que o “auxiliar” constitui ameaça ou dele simplesmente desconfia, manda “despachar”, sem dó nem piedade. Como em Manaus, que registra média de 10 a 12 vidas fulminadas nos fins de semana. Pobres, carentes, favelados, jovens, adultos e crianças, que tombam como castelos na areia. Tudo se acaba com o registro no jornal, com o clássico jargão policial: “Queima de arquivo”.

Uma pequena amostra do clima de medo e angústia diante do terror: um cidadão chega, pede sigilo sobre nome e endereço, deixa carta manuscrita com letra tremida, disse que enviou cópias a muitas autoridades. Dá para repetir Oswald de Andrade: não leram e não gostaram. O autor anônimo confessa, em texto que poderia ornamentar as paredes dos gabinetes brasílicos: “Eu sou covarde.

Pode ser vergonhoso para um homem já adiantado em anos, pai e avô de filhos e netos. Confesso minha covardia. Mas, podem estar certos, esta minha covardia é fruto da covardia dos governantes e das corporações policiais e judiciais, que não podem garantir, a mim, simples mortal, a segurança de denunciar o que todos sabem, mas não o fazem por total descrédito do sistema”. Faço minha a frase, em nome do pai e avô angustiado.

Na realidade, o crime organizado tem mil garras e parece dizer com o funk “tá tudo dominado”. Somos todos reféns. Os abastados estão escondidos em suas mansões eletrificadas. Neste caso, a quem recorrer? E como acreditar em corporações contaminadas pela insidiosa ação mafiosa, não escapando nem mesmo os aparelhos judiciais? Onde fica o poder do estado, que, pela Carta Magna, se erige como responsável pela segurança, palavra que, em termos mais simples, quer dizer cuidados que a pessoa deve ter para consigo mesma? Quem é de ouvir, que ouça: até quando seremos obrigados a ser covardes pela força da situação de impotência que anula a própria dignidade das pessoas? Segurança é uma questão que exige resposta contundente.

Afinal, está na hora de lembrar o ex-ministro da Desburocratização e ex-presidente da Petrobras Hélio Beltrão: “Temos apenas 2% de criminosos, 98% da população é gente honesta”. Será que seremos reféns eternos? Há de chegar um tempo em que os cidadãos honestos terão a mesma audácia dos bandidos que assaltam e matam, impunemente. 

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Possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

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