Início Espaço Crítico Custa muito se esperançar
Espaço Crítico

Custa muito se esperançar

Espaço Crítico
Por Flávio Lauria
17/03/2026 23h47 — em Espaço Crítico

Nem se fosse para ganhar por dólar cada cruzado arremessado do que acontece de real no mundo agitado da política, não sensibilizaria meu bolso, pois prefiro a liberdade de expressão tão cantada pelas organizações democráticas nas sociedades civilizadas. Entretanto, os juristas e legisladores eleitorais acharam de convencionar normas para a Imprensa com o fito de preservar períodos eleitorais - que não dá para entender, visto o contexto de liberdade que sempre marcou a atividade jornalística.

É engraçado. Quer dizer que, se um político-candidato estiver pregando um absurdo em suas atividades, ninguém pode publicar uma contestação sob pena de ser enquadrado num item qualquer da "lei da mordaça"?

Muito interessante. A censura dos anos de chumbo voltou sob forma de direitos individuais dos aspirantes aos cargos eletivos, nos fazendo vítimas desses especuladores das celebridades do poder partidário. Pois, muito bem.

Antes que Bobbio tenha um chilique de indignação; Unamuno se remexa de incredulidade nas entranhas do infinito; Weber refaça seus conceitos sociológicos sobre a magnitude da razão política; Ulysses pense em emergir das profundezas oceânicas; Dom Helder aonde estiver, interrompa com pompa sua missa celestial no cumprimento das penitências de Mussolinis, Francos e Médicis pelos confessionários do perdão... Eu não ficarei de bico calado por qualquer fato que venha a incomodar meu direito de cidadania - enfim, o direito de apreciação opinosa dos meus leitores.

Neste frigir de ovos, digo, votos, que demonstrará o povo brasileiro nas pertíssimas eleições gerais do nosso País, estamos numa enrascada há muito não vista na equação qualidade versus quantidade de candidatos à presidente da República - isso sem falar nas contendas estaduais. Daí a necessidade da imprensa em geral colher e divulgar tanto a postura dos principais corredores ao Palácio do Planalto quanto seus programas de governo, deixando de lado preferências e adjacentes contribuições ideológicas para com os mesmos.

Por me sentir patrioticamente frustrado pela ausência de melhores nomes neste embate presidencial - uns por se esconderam, outros por falta de coragem (principalmente para a vice, um cargo tão enfeitiçado que pode virar titular) -, não perco nenhuma exposição de idealismo dos que aí estão, seus objetivos administrativos, a composição dos seus quadros de assessoria técnica econômica, social e política.

Obviamente que até agora não acho que são dos melhores, destarte as mesmas promessas de 50 anos atrás: a criação de milhões de empregos; segurança total da população - todo bandido irá para a cadeia; dengue e sarampo jamais; jaz às palafitas e barracos de pé-de-pontes; toda criança terá um lar e amor; corrupção nos poderes públicos nunca mais; salário-mínimo de 2.000 reais e mesas fartas; sem terras, nem pensar; crescimento do PIB, juros baixos e neca de pitibiribas de inflação.

Vai custar muito se esperançar.

Espaço Crítico

Espaço Crítico

Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?