Manaus/AM - A proposta do candidato a governador do Amazonas, Eduardo Braga, de que, se eleito, vai trabalhar para regularizar a atividade de garimpeiros no Estado, gerou polêmica entre parlamentares defensores da geração de alternativas de trabalho e renda para as pessoas envolvidas nessa atividade, como deputado estadual Serafim Correa (PSB) e deputado federal José Ricardo (PT).
Um dos parlamentares que sempre se posicionou contrário à atividade de garimpo na Amazônia, Serafim Corrêa vê como temerária a proposta de Braga visando regularizar uma atividade que é conhecida por explorar o garimpeiro artesanal e deixar rico apenas os donos das máquinas.
Em um pronunciamento feito na Assembleia Legislativa do Estado (ALE) em fevereiro deste ano, Serafim criticou o Decreto Nº 10.966/22, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, regulamentando o garimpo no país. “Além de facilitar a poluição dos rios da Amazônia, expõe os garimpeiros ao submundo do crime”, disse.
Para o deputado, a falsa “mineração artesanal e em pequena escala”, descrita do decreto presidencial, favorece empresários que se escondem e vivem da exploração de garimpeiros.
“Hoje, por trás daquelas pessoas que estão lá nas balsas, tem alguém que ganha e não é o garimpeiro, que não tem R$ 1 milhão para montar uma balsa. É alguém por trás dele. O dono da balsa, que é alguém escondido”, pontua.
O deputado José Ricardo aponta a necessidade de um amplo debate sobre a questão da mineração pelos impactos que essa atividade traz para a Amazônia, fora do período eleitoral envolvendo governador e presidente.
Para ele, o garimpo é uma questão social que precisa ser tratada por meio de políticas públicas, porque as famílias que trabalham nessa atividade o fazem por não ter alternativas. “É preciso ter política para geração de emprego e renda no interior, políticas que cuidem da Amazônia e do homem da região”, disse ele.
Para o parlamentar, para definir uma política para essa questão é preciso ouvir todos os segmentos da sociedade envolvidos, assim como os estudiosos. “Especialmente por ser na região amazônica, que é mais sensível e onde já sabemos, a floresta em pé gera mais renda que a derrubada, afirmou.

