A produção de tablets no Brasil está levando o governo a incentivar também indústrias de semicondutores a se instalarem no País a partir da concessão de incentivos fiscais, antes oferecidos apenas para empreendimentos estabelecidos em Manaus. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloisio Mercadante, disse que o Brasil está perto de entrar para um seleto grupo de quatro países capazes de fabricar telas de LCD sensíveis ao toque. Essa tecnologia está intimamente ligada a produção de televisores, cujo polo está instalado em Manaus. As multinacionais consideram importante, além dos incentivos fiscais oferecidos, o fator logistica. Isto é, estradas, portos, aeroportos e mercados - tudo o que o Amazonas não tem para oferecer.
O acomodamento de 44 anos - da criação da Zona Franca até os dias atuais - está custando caro ao Estado do Amazonas. O ministro Aloísio Mercadante não é o vilão dessa história, que teve começo na eleição da presidente Dilma e cujo final pode ser a constatação de que o pólo industrial de Manaus foi transformado num grande cemitério.
Os vilões são os sucessivos governos estaduais, que deixaram para depois alternativas de desenvolvimento e também não dotaram o estado da infraestrutura necessária para enfrentar os desafios do futuro. E o futuro, descobre-se com certo atraso, é agora.
O País, assim pensa o governo do PT - não pode ficar amarrado ao Amazonas. O Brasil é grande demais para concentrar novas tecnologias que vão alavancar seu desenvolvimento num estado pequeno, rendido em todos os aspectos, inclusive na representatividade parlamentar no Congresso Nacional.
A MP nº 534 não é o fim, mas o começo de uma tragédia, Os parlamentares estão tentando incluir no dispositivo equipamentos como telefones celulares com acesso à internet, leitores de livro digital (e-book) e calculadoras gráficas programáveis, usadas para cálculos mais complexos, como informou ontem a Agência Brasil. Na verdade, a MP agrada a muita gente, deixa o governo Dilma confortável para ir mais longe em relação a concessão de incentivois fiscais para concentrar, especialmente no Sudeste, novas tecnologias, Enquanto a bancada do Amazonas no Congresso Nacional, que a apoiou e vendeu a ideia de que ela, Dilma, era a maior defensora da Zona Franca de Manaus, fica literalmene chupando o dedo.
