SÃO PAULO - A desvalorização de 95% de sua moeda realizada pela Venezuela foi parte, aparentemente, de uma tentativa de esmagar o mercado paralelo, no qual a maioria das pessoas compraram e venderam dólares por anos. Essas ilusões, no entanto, foram frustradas rapidamente.
Dentro de horas da reabertura do sistema financeiro nesta semana, as cotações do mercado paralelo já estava circulando. Alguns negociavam o dólar a 65 bolívares soberanos, a nova moeda venezuelana. Mas havia quem cobrasse até 100 bolívares — bem acima da nova taxa de câmbio oficial, de 60 bolívares por dólar.
Se essas cifras parecem pequenas, é preciso lembrar que o governo do presidente Nicolás Maduro, junto da troca de moeda, cortou cinco zeros do bolívar para simplificar as transações.
A tentativa de unificar as taxas dos mercados oficial e paralelo falhou por muitas rasões. Uma delas é que os controles cambiais que ditam quem pode comprar e vender dólares no mercado oficial foram mantidos. Outro fator é que, na nova moeda, a taxa não é crível aos olhos dos investidores.
Com o governo anunciando um aumento de 3.400% no salário mínimo a partir de 1º de setembro, é provável que a inflação continue e corroa o valor dos novos bolívares.
Por fim, não está claro quem exatamente vai fornecer os dólares para o mercado na taxa oficial. O governo, buscando preservar preciosa moeda forte após entrar em pelo não pagamento de títulos estrangeiros, disse que não seria ele.
“O dinheiro negociado virá do setor privado”, afirmou o ministro das Finanças, Simón Zerpa.
Além de determinar uma taxa oficial (que será flutuante), o governo determinou cotas máximas mensais de compras de dólares. Para empresas, o limite será de US$ 400 mil por mês, enquanto os indivíduos terão teto de US$ 500.

