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Três quartos das vagas de trabalho abertas desde abril são informais, diz IBGE

RIO - Desde abril, quando o mercado de trabalho brasileiro começou a se recuperar, 75% das vagas geradas no país estão ligadas à informalidade. O cálculo é do coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, com base nos dados de outubro da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Mensal, divulgada nesta quarta-feira. Entre abril e outubro, foram abertos 2,3 milhões de postos. Desses, 1,7 milhão foram vagas sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria, empregados domésticos e empregadores.

O destaque foi o avanço do emprego sem carteira. Entre abril e outubro, foram abertas 721 mil vagas desse tipo. A segunda maior alta foi registrada no grupo dos trabalhadores por conta própria, que aumentou em 676 mil trabalhadores. Já o número de empregados domésticos cresceu em 159 mil no período, enquanto o de empregadores registrou acréscimo de 187 mil. Combinados, esses números resultam no aumento de 1,7 milhão. O restante das vagas, 511 mil, foram preenchidas no setor público.

Em contrapartida, o emprego com carteira assinada praticamente andou de lado. Foram apenas 17 mil vagas formais geradas, pelas contas do IBGE. O instituto destaca que a metodologia empregada pela Pnad Contínua é diferente da usada no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e que vem registrando sucessivas altas no emprego formal desde o início do ano. Por isso, os números diferentes.

Azeredo destacou que o número é aproximado, porque algumas categorias não são exclusivamente compostas por emprego informal, como a de empregadores e a de empregados domésticos. No entanto, estão em linha com o esperado para o momento de recuperação gradual do mercado de trabalho. O aumento da ocupação ajudou na queda de 1,3 milhão no número de desempregados registrados desde que o cenário começou a melhorar em abril.

— A crise econômica, o cenário político conturbado, de certa forma, inibe o processo de investir e empreender. Consequentemente, tem esse aumento da informalidade. As pessoas estão entrando no mercado por meio de alojamento, comércio... Acredita-se que esse movimento informal, aumentando a massa de rendimento, possa movimentar esse mercado para que a gente possa ter o início de uma retomada de postos de trabalho formais — afirma.

O técnico explicou ainda que optou por comparar o dado de outubro com o do início do ano para analisar melhor o comportamento do mercado de trabalho apenas em 2017, sem influência dos dados de 2016.

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