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Sem informação das companhias, passageiros em Brasília esperam para embarcar

BRASÍLIA — Há 14 horas tentando voltar para casa, a advogada Roberta Dantas aguardava pacientemente sentada no chão do Aeroporto de Brasília. Ela estava no Acre a trabalho e tinha voo marcado para as 20h30 para Belém, onde mora. Teve o voo cancelado e a previsão do próximo voo para o destino era na quinta-feira. Para tentar chegar a tempo de trabalhar na segunda-feira, Roberta tentou um plano B: conseguiu embarcar para Brasília às 3:30 da madrugada na vaga de um passageiro que desistiu da viagem. Agora, aguarda na fila da Latam uma outra desistência para viajar de Brasília a Belém.

Sem dormir, ela vai de tempos em tempos perguntar à atendente de houve alguma desistência, já que não há previsão de novas vagas em voos. Até as 10h30 do sábado, quando O GLOBO conversou com Roberta, não havia nenhuma esperança de embarque. A empresa informou a ela que não tinha vaga disponível em hotéis.

— Vou lá perguntar toda hora. Preciso embarcar. Tenho audiência na segunda, na terça... Vou esperar alguém desistir — declarou.

As reclamações relativas à Latam são as mais frequentes no Aeroporto de Brasília. O GLOBO tentou contato com a assessoria de imprensa da companhia, mas não obteve resposta.

A arquiteta Erica Franck e o engenheiro Gustavo Cerqueira também tiveram o voo cancelado pela Latam no Aeroporto de Brasília e não tinham perspectiva de embarcar tão cedo. Eles iriam para Recife e, de lá, seguiriam para Miami e Nova York. Com o primeiro voo cancelado, não será possível embarcar nos outros. O casal tentava embarcar de Brasília para São Paulo para conseguir chegar aos Estados Unidos.

No entanto, para tentar trocar a rota, seria necessário primeiro ser atendido pela Latam. Na fila, organizada por senha, havia 183 pessoas na frente deles. Erica tentava ao mesmo tempo ser atendida por telefone, mas já aguardava na linha há cerca de meia hora.

— Não temos nenhuma informação. Não tenho ideia do que vai acontecer. Eu até apoio a greve, mas não quero arcar com o custo dos voos que vou perder — disse a arquiteta.

A enfermeira Anne Elizabeth de Lorena estava em Brasília a trabalho e teve o voo para Recife cancelado ontem à noite. No caso dela, a Latam ofereceu hospedagem. No sábado de manhã, ela embarcaria para Fortaleza para, de lá, tentar voltar para Recife, onde mora.

— Tinha um boato de que esse voo para Fortaleza seria também cancelado, mas a companhia acabou de confirmar que vai decolar — disse, ainda apreensiva.

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