RIO - O relator da reforma da Previdência, deputado federal Arthur Maia, criticou a forma como o governo federal informou a população sobre a proposta da reforma, ao apresentá-la pela primeira vez, em 2016, mas enfatizou que esse não foi o único problema a dificultar a aprovação das novas regras.
— Não foi só a ineficiência do governo, mas há uma barreira cultural. A população acredita que o governo sempre tem de prover tudo — analisou o relator, em evento sobre o tema promovido pela FGV nesta manhã de segunda-feira no Rio.
Maia disse, ainda, que nesse momento se tornou impossível aprovar o texto, mesmo tendo ficado mais brando em termos das mudanças e flexibilidades que foram adotadas porque houve um esvaziamento do capital político. Ou seja, o governo atual não tem mais o apoio, em votos, necessário para a aprovação.
— Estamos falando de um governo que não foi eleito pelo voto popular. Que assumiu depois de um impeachment e é alvo de algumas acusações. Esse governo não tem os 308 votos necessários (para a aprovação).
Para o relator, essa mudança ficará para o próximo presidente da República, que será eleito em outubro.
— O próximo presidente, em início de mandato, com certeza terá o capital político necessário.
Maia criticou, ainda, a pressão que sofreu do funcionalismo público durante a discussão do projeto na Câmara, para que seus privilégios fossem mantidos:
— Das 200 audiências que tive, quase a totalidade foi com representantes do setor público e federal.

