RIO - Há três anos, o advogado Fabio Cesnik, sócio do escritório Cesnik, Quintino & Salinas Advogados, acompanha a indústria brasileira de games nos Estados Unidos. Em março, pela primeira vez, o Brasil terá um estande na principal conferência do mundo, com delegação de mais de 40 empresas. “Em 2016, a indústria de games movimentou US$ 670 milhões e, em 2021, a previsão é chegar a US$ 1,4 bilhão, segundo pesquisa da consultoria Price”, afirma Cesnik. Para ele, investir em programa de incentivo do setor pode ser uma saída para a crise no Rio.
Há dois anos, pesquisas globais sobre entretenimento apontavam crescimento do mercado. Começamos, então, a trabalhar com essa indústria. Com a Associação Brasileira das Empresas Desenvolvedoras de Jogos (Abragames), acompanhamos políticas públicas e questões legais. Trabalhamos também aspectos autorais e incentivos fiscais. Os games raramente conseguiam ter acesso à Lei Rouanet. Brigamos muito e, agora, alguns projetos já conseguiram incentivo.
No início, a delegação brasileira era de sete empresas. No próximo evento, em março de 2018, o Brasil terá não só a maior delegação, com mais de 40 empresas, como estará pela primeira vez com estande na conferência, do qual só participam empresas que têm jogos para vender. Por ter mais projetos do que jogos, o Brasil ficava na Game Connection America, evento bem menor. Entre as empresas, está a Aquiris, que desenvolveu um jogo que é Top 10 da Apple store global. A última pesquisa da Price mostra que, no mercado de entretenimento no Brasil, game será disparado o setor de maior crescimento anual (16,5%), enquanto o mercado de mídia e entretenimento vai crescer em média 4,6% ao ano. Em 2016, a indústria dos games movimentou U$ 670 milhões e, em 2021, a previsão é de US$ 1,4 bilhão.
Tem, e muita. Temos talentos. O Brasil tem criadores de jogos incríveis, inclusive no Rio. Pela última pesquisa Mapeamento da Indústria Brasileira e Global de Jogos Digitais, feita pelo BNDES em 2014, o Rio vem em terceiro lugar no mercado de desenvolvedores, atrás do Rio Grande do Sul e São Paulo. Se o Rio investisse, poderia ser uma excelente saída para a crise. As empresas americanas têm interesse em investir no Brasil.
Fazer séries de TV produzidas nos Estados Unidos. Imagina ter episódios de um seriado grande, de US$ 4 milhões a US$ 5 milhões, no Rio? Só os gastos com equipes e estrutura da filmagem já movimentariam a economia. Nos games, a aposta é mais no futuro. Mas tem o desenvolvimento de indústria local caminhando e, com incentivo, poderia ser uma saída para o Rio.
O Rio deve ter uma política agressiva de formação de desenvolvedores, programadores, atletas de e-Sports e até gestores. E um programa para reter talentos. Estou há um mês em Los Angeles e fico impressionado com o interesse pelo Brasil.

