BRASÍLIA - O Palácio do Planalto está sendo alvo de reações de aliados à possibilidade de privatização de algumas empresas, onde os partidos têm vários indicados. Um dos problemas consiste na possível venda da Casa da Moeda (CMB), controlada pelo PTB. Responsável pela indicação do atual presidente da empresa e um dos principais aliados do presidente Michel Temer no Congresso, o deputado Nelson Marquezzeli (PTB-SP) disse ao GLOBO que a Casa da Moeda é uma "empresa emblemática" e que dá lucro.
Marquezzeli indicou Alexandre Cabral para comandar a empresa. Ele destaca a experiência de Cabral, afirmando que o executivo tinha 31 anos de Banco do Nordeste.
A questão da Casa da Moeda gerou reações também junto à opinião pública, por ser responsável pela emissão da moeda e ainda de passaportes. O governo, diante das reações, agora diz que a privatização ainda está em estudo. Antes, colocara a empresa na lista das privatizáveis.
Um dos principais parlamentares do PTB e da bancada ruralista, Marquezzeli pretende conversar com o presidente Michel Temer até terça-feira, data da viagem presidencial à China.
- A privatização da Casa da Moeda é uma decisão de governo. Mas é uma empresa emblemática, ainda do tempo do Império. A CMB dá lucro e, no próximo ano, o lucro vai ser maior ainda - disse Marquezzeli.
Cabral assumiu o comando da CMB com a meta de reduzir despesas e aumentar a receita. Na verdade, a empresa vem enfrentando queda na arrecadação desde 2015, mas a expectativa é de melhorar o desempenho em 2018 justamente com a redução na estrutura.
Por determinação do Planalto, a Fazenda está realizando a substituição de diretores da empresa. Segundo o deputado, seu indicado está implementando tudo que foi pedido pelo governo.
No setor elétrico, as reações também existem e partem principalmente do PMDB. O partido controla o setor há anos. Mas a privatização da Eletrobras foi comemorada e levou à euforia no mercado.

