A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta sexta-feira (8) que a Europa não deve rejeitar a tecnologia das stablecoins, mas frisou a necessidade de construir uma infraestrutura que permita que esses instrumentos operem ancorados ao dinheiro do BCE.
"A resposta não está em rejeitar a tecnologia, nem em desestimular stablecoins por completo, nem em sufocar a inovação. De forma alguma. Em vez disso, precisamos construir uma infraestrutura pública que permita que instrumentos alternativos - como stablecoins e outras formas de dinheiro tokenizado - operem dentro de um arcabouço ancorado em dinheiro de banco central", afirmou.
Segundo Lagarde, a resposta para o questionamento sobre se a Europa precisa investir em stablecoins para obter os benefícios atribuídos a elas é: depende da função.
Para a função monetária, afirmou, os fundamentos precisam vir primeiro, com mercados de capitais mais profundos, integrados e com ativos seguros. "Stablecoins não podem construir esses fundamentos para nós - e não construirão. Sem eles, stablecoins denominadas em euros correriam o risco de ampliar a própria vulnerabilidade que estamos tentando superar."
Para a função de liquidação, detalhou, a questão-chave é menos qual instrumento tecnológico irá prevalecer - se as stablecoins, depósitos tokenizados ou outras alternativas -, mas se existirá uma âncora em comum.
As declarações ocorreram durante palestra de Lagarde no I Fórum Econômico do Banco da Espanha para a América Latina, realizado na cidade de Roda de Bará, na Espanha.
Appia Pontes
Lagarde pontuou que, a partir de 26 de setembro, a União Europeia começará a oferecer liquidação por atacado por meio do projeto Appia Pontes. "O Appia Pontes conecta plataformas de registro distribuído ao TARGET, que é nosso sistema de liquidação, garantindo que transações baseadas em DLT possam ser liquidadas em dinheiro de banco central desde o primeiro dia", detalhou.
Ela afirmou que o roteiro estabelecido para o projeto prevê um ecossistema tokenizado europeu totalmente interoperável até 2028.



