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Pesquisa da FGV projeta recaída do PIB no segundo trimestre: queda de 0,24%

RIO - Estimativa do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) indica que a economia brasileira voltou a encolher, após dados positivos do início do ano. Segundo o Monitor do PIB, divulgado nesta segunda-feira, a atividade econômica registrou queda de 0,24% no segundo trimestre, na comparação com o primeiro trimestre. A projeção é divulgada a menos de duas semanas da divulgação oficial dos dados do IBGE, marcada para o dia 1º de setembro. Se a conta da FGV for confirmada, indicará que o país ainda não saiu da recessão.

“Esta taxa interrompe a trajetória de recuperação observada no primeiro trimestre”, afirma em nota o economista Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB, que foi gerente de Contas Nacionais do IBGE.

O PIB brasileiro cresceu 1% no primeiro trimestre, na comparação com o quarto trimestre de 2016, interrompendo uma sequência de oito resultados negativos. O número foi divulgado em junho e foi fortemente influenciado pelo desempenho da agropecuária, que cresceu 13,4%, a maior alta da série histórica. Na ocasião, o presidente Michel Temer chegou a comemorar, em redes sociais, que a recessão havia chegado ao fim. Economistas, no entanto, foram mais cautelosos: alguns, inclusive, já previam queda no segundo trimestre do ano.

O número da FGV é mais pessimista que a mediana das projeções no mercado financeiro. Pesquisa da Bloomberg realizada com 21 economistas entre os dias 11 e 16 de agosto indica que a economia brasileira ficará estável no segundo trimestre. Mas há quem preveja queda: Bradesco (-0,3%) e Itaú Unibanco (-0,2%) também esperam retração. No fim de maio, o Monitor do PIB estimou alta de 1,19% para o primeiro trimestre, estimativa bem próxima ao resultado de fato apurado pelo IBGE.

A pesquisa da FGV também traz estimativas para o desempenho da economia na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Nesse tipo de cálculo, a projeção é de queda de 0,3%. Em junho, o IBGE informou que o PIB recuou 0,4%, frente a 2016. Segundo a FGV, o destaque ficou por conta da indústria, com queda de 1,8%, influenciada pelo tombo de 7,4% da construção civil.

Ainda segundo o Monitor do PIB, o consumo das famílias cresceu 0,6% no segundo trimestre, sempre em relação ao mesmo trimestre de 2016. Já a formação bruta de capital fixo (FBCF), indicador de investimentos, teve retração de 5,1%, conforme as projeções da instituição. Assim como na indústria, a construção civil é o principal fator para o resultado, com queda de 9%.

A estimativa da FGV é divulgada poucos dias após o IBC-Br, indicador do Banco Central considerado como o “PIB do BC” mostrar que a economia brasileira cresce 0,25% no segundo trimestre. O resultado foi considerado uma surpresa positiva por analistas. Nesse caso, se a estimativa do BC for confirmada pelo IBGE, reforçará a análise de que a recessão brasileira ficou para trás.

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