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Peso argentino despenca 15,6% e BC eleva taxa de juros para 60%

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BUENOS AIRES — O governo argentino anunciou nesta quinta-feira que está buscando maneiras de acelerar uma redução de seu déficit fiscal e conter os riscos financeiros, mas no mercado o peso sofria uma forte queda ante o dólar. Na abertura dos negócios, a moeda argentina despencou 15,6%, atingindo a mínima recorde de 39 por dólar, enquanto o banco central elevou a taxa de juros de 45% para 60%. As medidas foram tomadas um dia depois de o presidente Mauricio Macri anunciar que selado em junho passado, para garantir o financiamento do país, em meio a temores de uma potencial interrupção dos pagamentos da dívida. Em contrapartida, o FMI pediu políticas monetária e fiscal mais fortes.

O banco central argentino anunciou ainda que aumentou em cinco pontos percentuais a taxa de compulsório para bancos privados. Em um comunicado, a autoridade monetária explicou que adotou as medidas “em resposta à conjuntura cambial atual e ante o risco de que isso implique em um impacto maior sobre a inflação doméstica”.

A Argentina atravessa uma forte crise financeira e acertou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de US$ 50 bilhões, pelo qual o governo se compromete a reduzir seu déficit a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019.

— Estamos trabalhando na instrumentação para adiantar nossas metas para o próximo ano para reduzir esse risco financeiro, o qual vai levar necessariamente à continuidade das discussões de como acelerar também o caminho até o equilíbrio fiscal — disse o chefe de gabinete, Marcos Peña, na abertura do Conselho das Américas, em Buenos Aires.

Após o evento com empresários, em conversa com os jornalistas, Peña disse que o governo argentino cometeu erros, mas que o país agora vai na direção correta.

— Não estamos diante de um fracasso econômico. É uma mudança profunda (do país), estamos bem encaminhados —, acrescentou o chefe de Gabinete. —Estamos muito convencidos de que há um rumo claro, de que vamos sair fortalecidos desta crise — completou o homem de confiança de Macri.

Peña atribuiu a desconfiança dos mercados à história da Argentina nos últimos 70 anos, com sucessivos governos que não fizeram o suficiente para remediar problemas estruturais.

— Somos o país que mais vezes violou os contratos internacionais no mundo, que mais vezes mentiu e enganou os demais e que demonstrou uma vez ou outra, até agora, que não está disposto a buscar o equilíbrio fiscal para depender de seus próprios recursos— admitiu Peña.

Peña insistiu que o caminho adotado pelo governo Macri, desde que assumiu o poder em dezembro de 2015, é "de equilíbrio fiscal, de desenvolvimento e crescimento".

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