WASHINGTON - O diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, disse ao Congresso americano que a rede social está investigando “dezenas de milhares” de aplicativos, na esteira do escândalo de utilização de dados de usuários do Facebook pela empresa de marketing político Cambridge Analytica.
Ao ser questionado se o Facebook havia alertado usuários após ser informado que a , Zuckerberg negou a possibilidade.
Ele se justificou dizendo que, após saber do acesso às informações, o Facebook acreditou que a companhia de marketing político tinha apagado os dados — conforme o Facebook havia pedido e a CA disse ter feito. Apenas .
A resposta foi a mesma dada quando o questionamento foi se ele havia relatado o fato à Comissão Federal de Comunicações americana (FTC na sigla em inglês).
— Não, senador, nós consideramos um caso encerrado — afirmou o executivo.
Ele também admitiu ter cometido erros.
— É impossível não cometer — acrescentou.
Quando perguntado pelo senador John Cornyn se era possível, após decidir apagar seu perfil, impedir que o Facebook use os dados que a pessoa compartilhou em algum momento, Zuckerberg confirmou que as informações são apagadas.
— Há um equívoco comum. Não vendemos dados para terceiros — disse Zuckerberg ao ser perguntado se os dados também são eliminados das bases dos anunciantes da rede social.
De acordo com o executivo, não há uma venda de dados. As empresas anunciantes comunicam ao Facebook qual é o público-alvo do anúncio, e a rede social cuida de exibir as peças publicitárias para esse grupo de interesse, segundo Zuckerberg.
O senador John Thune questionou por que se deveria acreditar no Facebook agora se a empresa tem um histórico de se desculpar inúmeras vezes em função de seguidos problemas.
— Estamos passando por uma mudança filosófica mais ampla em como abordamos nossa responsabilidade como uma companhia — respondeu Zuckerberg ao republicano, acrescentando que a mensagem-chave que gostaria de passar é que a empresa “aprendeu” e está “crescendo”: — Não podemos apenas construir ferramentas, precisamos policiar nosso ecossistema em uma maneira mais estrita.
Lindsey Graham, senador republicano da Carolina do Sul, pressionou Zuckerberg com relação à falta de redes sociais equivalentes. Ele insistiu em perguntar se há algum serviço igual ao do Facebook.
— Você não acha que tem um monopólio? — provocou Graham.
— Certamente, não parece para mim — respondeu o executivo, gerando risos em quem estava no Congresso.
A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) escreveu no Twitter que os senadores deveriam fazer com que Zuckerberg esclarecesse quais regulações a rede social adotará. Para a associação, os legisladores deveriam garantir que não sejam reformas apenas “de aparência”.
Já o senador Orrin Hatch observou que esta á a audiência com foco em tecnologia que ele viu atrair mais interesse desde as da Microsoft realizadas em 1998 — quando foram debatidas questões antitruste em um movimento crucial para a empresa e para a indústria tecnológica como um todo.
Hatch também questionou se as pessoas estão bem informadas ao optarem por abrir mão de dados em troca do uso de plataformas gratuitas e se elas têm conhecimento real do que elas estão aceitando ceder.
Ao ser perguntado se sua rede social poderia deixar de ser gratuita, Zuckerberg garantiu:
— Sempre haverá uma versão gratuita do Facebook.
Ao ser perguntado se a companha coleta dados rastreando o usuário em diferentes dispositivos e se dados off-line são incluídos, o executivo disse não saber informar, o que surpreendeu o senador Roy Blunt, autor da pergunta.
A frase “não tenho essa informação aqui, mas minha equipe fará um follow-up com o senhor” provavelmente foi a mais repetida pelo cofundador do Facebook, dita a quase todos os senadores.
Como republicano, o senador Ted Cruz apontou o fato de muitas páginas conservadoras terem sido retiradas do ar e pressionou Zuckerberg para saber se a maior parte dos empregados da rede social é democrata.
O executivo afirmou que não pergunta a orientação política dos funcionários e que “o Facebook se considera uma plataforma para todas as ideias”.
E ao ser perguntado pela senadora Maria Cantwell sobre o apoio da rede social à candidatura de Donald Trump à presidência americana em 2016, Zuckerberg alegou que foi “similar ao dos outros”.
Na volta do intervalo, Zuckerberg se corrigiu:
— Ao ser perguntado pelo senador Patrick Leahy por que não banimos a Cambridge Analytica depois de ficarmos sabendo o que havia ocorrido, eu disse que eles não eram anunciantes, não eram desenvolvedores de apps. Minha equipe me corrigiu: em 2015, eles eram anunciantes. foi um erro nosso (não termos banido a CA).



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