8 Abr (Reuters) - Os mercados globais precisarão de meses para se recuperar do impacto do conflito no Oriente Médio mesmo que um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã seja mantido, disseram especialistas da Oxford Economics nesta quarta-feira.
As ações asiáticas e europeias dispararam depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o acordo na noite de terça-feira, mas os ganhos dependem da retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz, com implicações nos mercados de energia e nas economias globais.
"O acordo é frágil, os principais detalhes operacionais ainda precisam ser trabalhados e, mesmo na melhor das hipóteses, é provável que os fluxos físicos (de petróleo) se recuperem apenas gradualmente", disse Bridget Payne, chefe de previsão de petróleo e gás da Oxford Economics, em um webinar.
Payne acrescentou que os fluxos de GNL devem ser retomados mais lentamente devido aos danos às instalações de gás na região, o que afetará principalmente os mercados europeus e asiáticos.
O fim do conflito e a queda nos preços do petróleo provavelmente evitarão o aumento dos juros na Europa e aproximarão as expectativas de inflação e crescimento globais dos níveis de fevereiro, disse o diretor de previsão e análise macro, Ben May.
Para os países do Conselho de Cooperação do Golfo, a Oxford Economics reduziu sua previsão de crescimento real do PIB para 2026 em 5,2 pontos percentuais, sendo que o Catar, o Kuweit e o Barein foram os mais afetados.
No entanto, houve aumento da previsão para 2027 em 3,2 pontos percentuais, supondo que a guerra chegue ao fim.
Os mercados financeiros globais têm se mostrado resilientes, mas se a incerteza sobre o cessar-fogo continuar, isso "certamente poderá ser um fator de ampliação do choque", acrescentou May.
Entre os setores mais atingidos, o turismo na região levará meses para se recuperar, apesar da importância dos aeroportos do Golfo Pérsico como centros de tráfego internacional, disse o economista Aaron Goldring, da unidade de economia do turismo de Oxford.
"Estamos observando impactos no sentimento que duram até o quarto trimestre como resultado de todos os cancelamentos no espaço aéreo, mas também da perda da percepção de segurança, que é extremamente importante no setor de turismo", disse Goldring.
(Reportagem de Alessandro Parodi em Gdansk)



