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Macri quer aprovar reformas ainda este ano

BUENOS AIRES - A capital argentina será cenário nesta quarta-feira de protestos em repúdio às reformas que o governo do presidente Mauricio Macri pretende aprovar até o fim deste ano. Ainda no embalo da vitória da aliança governista Mudemos nas eleições legislativas de outubro, Macri está mergulhado numa cruzada frenética para aprovar as reformas trabalhista, da Previdência e tributária, além do Orçamento de 2018. As metas são ambiciosas e enfrentam resistências. As críticas são intensas por parte de sindicatos e, sobretudo, da ala do peronismo liderada pela ex-presidente e senadora eleita Cristina Kirchner.

— Aplicarão um ajuste brutal aos trabalhadores e aposentados — afirmou nesta terça-feira Cristina, que no próximo domingo assume seu cargo no Senado.

Duas das reformas são cruciais para o governo. A da Previdência modifica o cálculo das aposentadorias e, segundo a oposição, implicará, a médio e longo prazos, em remunerações mais baixas. Também estabeleceu-se a alternativa, voluntária, de aposentadoria aos 70 anos. Atualmente, os homens se aposentam com 65 anos, e as mulheres, com 60. O termo voluntário é relativo, já que quem não se aposentar aos 70 receberá um valor menor.

— A reforma indexa o reajuste das aposentadorias à inflação e não mais à arrecadação. Isso permitirá ao governo continuar reduzindo o déficit fiscal, já que quando a arrecadação subir, as aposentadorias não subirão no mesmo ritmo — explicou o economista Ramiro Castiñeira, da Econométrica.

Ele vê a proposta “em sintonia com o resto do mundo”:

— A questão da idade é um debate mundial, e a Argentina não pode fugir disso.

Já a reforma trabalhista cria a figura do “trabalhador autônomo economicamente dependente”, similar ao da pessoa jurídica no Brasil, que permitirá às empresas excluir trabalhadores das convenções coletivas e reduzir seus direitos. A base de cálculo das indenizações também muda, favorecendo as empresas.

— Esta reforma é defendida como um sacrifício que os trabalhadores argentinos devem fazer para que o país possa crescer e receber novos investimentos. Acho que isso explica tudo — afirmou Matias Cremonte, presidente da Associação de Advogados Trabalhistas.

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