Inflação no Brasil fecha 2025 abaixo do teto da meta em meio a expectativas por cortes de juros
Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier
SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 9 Jan (Reuters) - A inflação no Brasil acelerou em dezembro, mas ainda encerrou 2025 abaixo do teto da meta, consolidando um processo de desinflação no país apesar da pressão de serviços e em meio às expectativas de início de cortes dos juros.
Em dezembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33%, contra 0,18% em novembro, marcando o menor resultado para um mês de dezembro desde 2018.
Com isso, a inflação fechou 2025 com alta de 4,26%, abaixo da taxa de 4,83% de 2024 e do teto da meta contínua -- 3,0% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram ligeiramente abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters, de alta de 0,35% na comparação mensal e de 4,30% em 12 meses.
Com o sistema de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido se a inflação ficar fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, levando o Banco Central a divulgar publicamente as razões do descumprimento.
Depois de atingir um pico de 5,53% em abril de 2025, a taxa em 12 meses do IPCA foi abaixo do teto da meta pela primeira vez no ano em novembro, em uma tendência de desaceleração que acontece em meio a uma política monetária bastante restritiva, com a taxa Selic em 15% para controlar a inflação.
O Banco Central volta a se reunir no final deste mês para decidir sobre a política monetária. No mercado, há uma expectativa majoritária de manutenção dos juros em janeiro, sendo que os investidores estarão atentos a indicações sobre o início de um ciclo de cortes.
A autoridade monetária já afirmou que a manutenção do nível atual por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação ao objetivo. A pesquisa Focus mostra que a expectativa de analistas é de uma primeira redução apenas em março.
Em seu Relatório de Política Monetária divulgado em dezembro, o BC apontou que a inflação deverá atingir o centro da meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028, permanecendo acima do alvo durante 2027.
SERVIÇOS E ENERGIA
A redução da inflação acumulada no ano passado se deu apesar da pressão dos preços de serviços, em um ano marcado pela resiliência do mercado de trabalho e pela renda elevada, ponto de atenção do BC. Esse setor acumulou em 2025 alta de 6,01%, uma forte aceleração ante os 4,78% de 2024, com o transporte por aplicativo disparando 56,08% e a passagem aérea deixando para trás uma deflação para avançar no ano 7,85%.
O resultado de 2025 foi marcado ainda pelo desempenho da energia elétrica residencial, que exerceu o maior impacto individual sobre a inflação no ano, acumulando alta de 12,31%.
Isso influenciou o grupo Habitação, cuja alta de preços acelerou para 6,79%, de 3,06% em 2024, apesar de em dezembro ter marcado uma deflação de 0,33%.
"A participação da energia elétrica residencial gerou impacto no resultado acumulado no ano de 0,48 p.p., por conta de reajustes que variaram de -2,16% a 21,95%, além de uma maior prevalência de bandeiras tarifárias onerando a conta dos consumidores", explicou Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa.
Entre as maiores variações no ano passado, destacaram-se ainda Educação (6,22%), Despesas pessoais (5,87%) e Saúde e cuidados pessoais (5,59%). Segundo o IBGE, os quatro grupos juntos responderam por cerca de 64% do resultado de 2025 do IPCA.
Por outro lado, Alimentação e bebidas, grupo de maior peso no índice, teve alta de 2,95% em 2025, após avanço de 0,27% em dezembro, abaixo da taxa de 7,69% do ano anterior.
Esse resultado se deveu principalmente à alimentação no domicílio, cujo aumento de preços passou de 8,23% para 1,43%. O arroz registrou queda de 26,56% em 2025, enquanto o leite longa-vida caiu 12,87%.
O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em dezembro alta para 60%, de 56% em novembro.
A última pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA era de alta de 4,31% em 2025, indo a 4,06% este ano e a 3,80% em 2027.
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