SÃO PAULO - Em um leilão que durou quase cinco horas, o governo conseguiu vender todos os lotes de linhas de transmissão de energia ofertados na tarde desta sexta-feira, em pregão realizado na antiga sede da Bovespa, hoje B3, em São Paulo. Foi o segundo leilão de transmissão deste ano e, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o deságio médio foi de 40,46%, o que deve representar uma economia de cerca de R$ 15,5 bilhões em relação às tarifas fixadas inicialmente aos longo do período de concessão, de 30 anos.
Em abril, de um total de 33 lotes, a Aneel conseguiu vender 31 e o deságio médio ficou em 36%. Além do ágio maior, nesta segunda rodada os investidores chineses, que foram protagonistas do leilão anterior, não figuraram entre os vencedores.
Apesar disso, os maiores lotes, que exigirão maior volume de aportes por parte dos concessionários, novamente foram arrematados por estrangeiros. O maior deles, o de número 3, foi vencido pela companhia indiana Sterlite Power Grid. A Neoenegia, controlada pela espanhola Iberdrola, levou dois dos 11 lotes ofertados.
Para o secretário de energia elétrica do Ministério de Minas e Energia, Fábio Lopes Alves, o leilão desta sexta-feira confirmou a competitividade dos lotes e refletiu a confiança do investidor na retomada da economia, por tratar-se de projetos de longo prazo.
— Nós tivemos contratados cerca de R$ 20 bi em leilão de transmissão neste ano, somando com 2016, esse valor chega a R$ 38 bilhões. Os números são crescentes. No ano passado, colocamos 25 lotes à venda e vendemos 23. Neste, em abril foram 35 lotes ofertados e saíam 31 e agora dos 11 e vendemos todos. E, o mais interessantes, seis fechados no viva-voz. Há ainda muito espaço para projetos em transmissão e no primeiro semestre do ano que vem, teremos mais um leilão de transmissão — disse Alves.
Foram leiloados 4.919 km de linhas de transmissão e subestações, com capacidade de transformação de 10.416 mega-volt-amperes (MVA). Projetos cujos investimentos previstos somam R$ 8,75 bilhões.
De acordo com edital, venceram o leilão as empresa que ofereceram o menor valor de Receita Anual Permitida (RAP), ou seja, o menor preço de tarifa para a energia transportada. Com os investimentos de R$ 8,7 bilhões em obras e equipamentos, a Aneel estiam que serão gerados cerca de 17,8 mil empregos diretos.
Os 11 lotes de linhas de transmissão ofertados vão cruzar dez estados: Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Tocantins. As instalações de transmissão (linhas e subestações) deverão entrar em operação comercial no prazo de 36 a 60 meses a partir da assinatura dos contratos de concessão.



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