PELOTAS, RS (FOLHAPRESS) - As famílias fundadoras da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) entraram com um pedido na Justiça para que a recuperação judicial da instituição seja transformada em falência.
O pedido foi feito no dia 3 de novembro pelas famílias Alves e Silva e Fioravante, que fundaram a FMU e são donas dos 18 prédios utilizados pela instituição. O motivo é a falta de pagamento de aluguel e IPTU desses locais desde que a recuperação judicial foi aceita, em março deste ano.
A dívida desse período ultrapassa os R$ 40 milhões.
A FMU entrou com pedido de proteção para renegociar dívidas de R$ 116 milhões. Os principais credores são as famílias fundadoras. A lei prevê que apenas as dívidas existentes no momento da recuperação judicial entram no plano.
Assembleias dos credores estão agendadas para os dias 19 e 26 de novembro. Os fundadores e os atuais donos da FMU estão negociando. No entanto, se não houver acordo de pagamento e for decretada a falência, o centro universitário pode ser despejado.
"Ou se faz um acordo que seja razoável para ambas as partes, ou eles vão continuar não pagando os aluguéis e não vai ter outra alternativa a não ser despejá-los. Estamos negociando já há um bom tempo, mas está distante ainda. Os fundadores já fizeram várias concessões", disse o advogado João Ricardo Pacca, que representa as famílias fundadoras.
Segundo o RUF (Ranking Universitário Folha) 2025, a FMU possui mais de 60 mil alunos e oferece 173 cursos. No pedido de março, a instituição citou os impactos da pandemia no ensino superior privado. Desde 2021, a FMU também sofreu com restrições ao Fies -programa de financiamento estudantil-, desistências e inadimplência elevada.
A disputa entre as partes, no entanto, já ocorre em um tribunal de arbitragem há mais de uma década, desde que os fundadores venderam a instituição para o Grupo Laureate, em 2013, e passaram a alugar os prédios para a FMU como parte do acordo.
Desde 2020, a FMU pertence ao fundo de investimento Farallon, que assumiu o controle como parte do acordo de compra da Laureate pela Ânima Educação.
Segundo o advogado Rui Celso Reali Fragoso, que também representa os fundadores, o impasse começou seis meses após a venda. Os contratos de locação foram firmados em setembro de 2014 com duração de 12 anos.
Fragoso afirma que a FMU não paga aluguel e IPTU da maioria dos prédios há anos, o que eleva o valor cobrado pela família para cerca de R$ 300 milhões.
Procuradas por email, a FMU e a gestora Farallon não responderam à reportagem.

