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Filhos dão salto menor no mercado de trabalho quando instrução do pai é baixa

RIO - Pesquisa sobre mobilidade socio-ocupacional divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE mostra que, apesar de metade das pessoas com mais de 25 anos ter avançado no mercado de trabalho em relação ao pai, ou seja, tem uma ocupação com rendimento maior, apenas 21% do total que melhorou de vida deu um salto de longa distância - dos estratos mais baixos para o mais alto. O mais comum, ocorrido com a metade dos que ascenderam, é pular do estrato mais baixo, formado por agricultores, para apenas um ou dois acima - que concentram vendedores, domésticos, cozinheiros, auxiliares de serviços em geral e operários de obras. Em relação a outra metade de filhos ouvidos pela pesquisa, 17% têm uma ocupação pior que a do pai e 33% reproduziram a mesma ocupação do pai no mercado de trabalho. E apenas 10,4% dos filhos cujos pais não tinham instrução ou o ensino fundamental incompleto conseguiram alcançar o ensino superior.

— O Brasil, apesar de ser extremamente desigual, vivenceiu mobilidade considerável. Mas essa mobilidade se concentrou nos estratos mais baixos. Ela é fruto do processo de urbanização: da substituição de ocupações mais agrícolas para o conjunto de ocupações urbanas — explica Betina Fresneda, analista na coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.

Dos filhos de pais agricultores, apenas 8% tem uma ocupação que exige o ensino superior, enquanto mais da metade (54,2%) dos filhos de pais com ensino superior também têm ocupações que demandam essa formação.

Movimento semelhante ocorre quando se analiza a mobilidade educacional. O percentual de filhos (25 a 65 anos) que possuíam um nível educacional diferente do paterno foi de 73,9%, sendo que 69% tinham nível de estudo superior ao do pai e apenas 5% inferior. Mas apenas 4,6% dos filhos cujos pais não tinham instrução conseguiram concluir o ensino superior. Enquanto 70% dos filhos de pais com ensino superior também alcançaram essa formação.

— O Brasil também tem elevado nível de desigualdade de oportunidades educacionais, pois quanto maior a escolaridade do pai maior a proporção de filhos que alcança o ensino superior — analisa Betina.

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