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Após queda-de-braço, J&F louva fundos de pensão em anúncio

RIO - Depois de travar uma queda de braço com Petros e Funcef em torno do valor de mercado da Eldorado, a J&F, controlada pela família Batista, publicou anúncio nos principais jornais nesta quinta-feira parabenizando os fundos pela venda de suas fatias na fabricante de celulose. Os fundos de pensão dos funcionários da Petrobras e da Caixa Econômica Federal e a J&F eram sócios na Eldorado, que foi vendida pelos irmãos batista em setembro, por R$ 15 bilhões, à Paper Excellence, sediada na Holanda.

Os R$ 15 bilhões contemplavam a compra de 100% das ações da Eldorado, mas, na ocasião, Petros e Funcef que, detinham 8,5% cada na empresa, não sabiam ainda se venderiam sua parte. No último dia 12, eles comunicaram o mercado que exerceriam o direito de minoritários (tag along) de acompanhar os termos da transação. Cada um vai receber R$ 665,7 milhões ou 145% mais que o valor investido na empresa.

A Eldorado foi uma das empresas vendidas pela J&F com o objetivo de levantar recursos para pagar multa bilionária acertada com a Procuradoria Geral da República, quando da delação premiada dos executivos do grupo.

O anúncio, de página inteira, diz que os fundos, ao tomarem essa decisão, dão “uma demonstração de arrojo e visão estratégica que lhes permitiu mais do que dobrar o capital investido”. Também diz que “com muito orgulho, a J&F vem a público agradecer o apoio inestimável prestado (pelos fundos) ao empreendimento”.

Quem lê o texto tem a sensação de que a paz sempre reinou entre os sócios. Não foi bem assim. O aporte dos fundos na Eldorado foi feito por meio do FIP Florestal, criado em 2009. Como a Eldorado não tem ações em bolsa, o valor de atribuído à empresa é feito por laudos de consultorias.

Em 2014, a participação de cada fundo chegou a ser avaliada em R$ 550 milhões e em 2015, em laudo assinado pela Deloitte, saltou para R$ 1,5 bilhão. Em 2016, laudo preliminar da Baker Tilly apontou dois possíveis valores, dependendo da metodologia empregada: R$ 399 milhões ou R$ 271,7 milhões, basicamente o valor investido na origem do negócio. Isso acabou gerando conflito entre os sócios e atrasando a publicação do balanço da Funcef.

Além disso, o FIP Florestal foi alvo de uma das operação da Lava-Jato, que mirava negócios feitos com fundos de pensão. Um dos diretores da Funcef, que é conselheiro do Fundo na Eldorado, também apresentou, no início deste ano, denúncia ao Ministério Público Federal contra Joesley Batista, que era presidente do Conselho de Administração da Eldorado na época.

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