Por Nupur Anand e Pete Schroeder e Saeed Azhar
NOVA YORK/WASHINGTON, 25 Set (Reuters) - O Federal Reserve dos EUA está elaborando um plano para elevar os limites de ativos que desencadeiam uma supervisão mais rigorosa dos grandes bancos, segundo quatro pessoas a par do assunto, o que permitirá que algumas instituições financeiras evitem regulamentações adicionais onerosas e, potencialmente, estimulará a consolidação.
Espera-se que o banco central proponha em breve a reindexação dos limites a partir dos quais os bancos passam a estar sujeitos a testes de estresse de seus balanços patrimoniais, liquidez, capital e outras regras mais rigorosas, a fim de levar em conta a inflação e o crescimento econômico, afirmaram as fontes. Três delas disseram esperar que o Fed proponha as mudanças ainda este ano.
As regras atuais impõem requisitos mais rigorosos quando um banco atinge US$100 bilhões em ativos, intensificando-se em US$250 bilhões e novamente em US$700 bilhões. As instituições financeiras afirmam que esses limites, estabelecidos em 2019, não acompanharam o ritmo da economia, submetendo os bancos a uma supervisão cada vez mais rigorosa que excede os riscos que eles representam.
Os bancos afirmam que ultrapassar o limite de US$100 bilhões normalmente exige grandes investimentos em equipe de conformidade, sistemas de gestão de risco, recursos para testes de estresse e infraestrutura de relatórios regulatórios, que podem chegar a dezenas de milhões de dólares anualmente.
O Fed planeja reajustar o limite mais alto para um valor próximo a US$1 trilhão e alguns dos requisitos acionados pelo limite mais baixo para um valor próximo a US$150 bilhões, disseram as fontes, que preferiram não se identificar por estarem discutindo questões regulatórias delicadas.
Entre os bancos que devem se beneficiar estão o U.S. Bancorp, o Capital One, o PNC Financial e o Truist, que estão mais próximos do limite de US$700 bilhões, o que lhes dá mais espaço para crescer sem incorrer em algumas das medidas de supervisão mais rigorosas do Fed, incluindo aspectos das novas regras de capital e requisitos de relatórios diários aos supervisores.
Já a Western Alliance, a Zions e várias outras, por sua vez, poderiam crescer além dos US$100 bilhões sem ter que arcar com todos os requisitos atualmente impostos aos credores nessa categoria. A Pinnacle Financial Partners e um ou dois outros credores com ativos entre US$100 bilhões e US$150 bilhões poderiam até mesmo se isentar de alguns requisitos.
Um porta-voz do Fed se negou a comentar. Em janeiro, a vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, afirmou que o banco central consideraria reajustar os limites e sugeriu o uso do PIB nominal, mas o Fed não se pronunciou desde então.
“A economia dos EUA cresceu significativamente nos últimos sete anos, e faz sentido ter regras para todos os bancos que ajudem os consumidores e as pequenas empresas por meio de maior capacidade de crédito bancário e mais concorrência”, disse um porta-voz da U.S. Bancorp.
Os demais bancos se negaram a comentar ou não responderam a pedidos de comentário.
O plano faz parte de um esforço mais amplo do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, para reformar a supervisão bancária, que, segundo autoridades, está sufocando os empréstimos e a economia. Bowman também está reformulando regras de capital e outros aspectos do regime de supervisão do Fed.
As mudanças poderiam levar a uma onda de consolidação entre instituições de crédito de médio porte, que têm adiado essas ações por medo de ultrapassar os limites, disseram as fontes.
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