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Fed mantém juros estáveis, vê inflação "elevada" e estabilização do mercado de trabalho

Por Reuters

28/01/2026 19h12 — em
Economia



Por Howard Schneider

WASHINGTON, 28 Jan (Reuters) - O Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada nesta quarta-feira em meio ao que o chefe do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, chamou de uma clara melhora nas perspectivas de crescimento econômico e diminuição dos riscos para a inflação e o emprego, uma leitura que não transmitiu nenhum senso de urgência para novas reduções nos custos de empréstimos.

"A economia mais uma vez nos surpreendeu com sua força", disse Powell em uma coletiva de imprensa depois que os formuladores de política monetária do Fed votaram por dez a dois para manter a taxa básica de juros do banco central na faixa de 3,50% a 3,75% após uma reunião de dois dias.

Destacando o amplo apoio interno à decisão, Powell disse que o Fed continua "bem posicionado" para avaliar quando ou se será necessário outro corte nos juros.

"Poderia haver combinações, um número infinito de combinações que nos levariam a querer mudar", afirmou ele, com o enfraquecimento do mercado de trabalho ou a inflação voltando para a meta de 2% do Fed como duas dessas possibilidades.

Desde a última reunião do Fed, em dezembro, quando o Fed realizou o terceiro corte consecutivo na taxa de juros, "os riscos de alta para a inflação e os riscos de baixa para o emprego diminuíram. Mas eles ainda existem", disse Powell. "Achamos que nossa política monetária está em uma boa posição."

Tanto o diretor Christopher Waller, candidato a substituir Powell quando seu mandato como chefe do banco central terminar em maio, quanto o diretor Stephen Miran, que está de licença de seu trabalho como consultor econômico na Casa Branca, divergiram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica.

A decisão sobre a taxa de juros, que era amplamente esperada pelos mercados financeiros, foi ofuscada durante a coletiva de imprensa após a reunião, quando repórteres questionaram Powell sobre as ameaças à independência do Fed e se ele pretende permanecer no banco central após o término de seu mandato como chair em maio, uma possibilidade que ganhou nova vida depois que o governo Trump abriu uma investigação criminal contra ele mais cedo neste mês.

Trump criticou o Fed e Powell por não terem conseguido realizar os grandes cortes na taxa de juros que o presidente acredita serem necessários para estimular a economia.

Powell disse na época que a investigação tinha como objetivo pressionar o banco central a reduzir os juros de acordo com as preferências do presidente e, nesta quarta-feira, recusou-se a fazer mais comentários.

Mas ele deu alguns conselhos para seu sucessor. "Não se deixe levar pela política eleitoral", disse ele, acrescentando que o próximo chefe do Fed também deve se esforçar para prestar contas ao Congresso, que supervisiona o banco central.

INFLAÇÃO ELEVADA, MERCADO DE TRABALHO SE ESTABILIZANDO

O comunicado do Fed não deu nenhuma pista sobre quando pode ocorrer outra redução nos custos dos empréstimos, destacando que "a extensão e o momento de ajustes adicionais" na taxa de juros dependerá dos dados que chegarem e das perspectivas econômicas, frase que Powell também usou em seus comentários.

Ele também disse que a inflação "continua um pouco elevada" e que o mercado de trabalho mostrou "alguns sinais de estabilização e também alguns sinais de arrefecimento contínuo."

Enquanto isso, a inflação "permanece um pouco elevada", disse o banco central, enquanto o mercado de trabalho "mostrou alguns sinais de estabilização".

Embora o Fed tenha observado que "os ganhos de emprego permaneceram baixos", o banco central também removeu a linguagem de seu comunicado anterior dizendo que os riscos de queda no emprego haviam aumentado -- uma indicação de que os formuladores de política monetária como um grupo estão se tornando menos preocupados com uma rápida desaceleração no mercado de trabalho.

Antes da reunião desta semana, autoridades do Fed haviam caracterizado o mercado de trabalho como aproximadamente equilibrado, com ganhos menores correspondendo ao crescimento mais lento do número de pessoas que procuram emprego como resultado das políticas de imigração mais rígidas do governo Trump. A taxa de desemprego em dezembro caiu para 4,4%.

FED AINDA DIVIDIDO

A decisão de manter os custos dos empréstimos em seu nível atual coloca o atual ciclo de afrouxamento monetário do Fed, iniciado próximo ao final do governo Biden e continuado após uma pausa de aproximadamente nove meses durante o segundo mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca, em espera novamente após três reduções de 0,25 ponto percentual nas três últimas reuniões do banco central em 2025.

O corte na reunião de 9 e 10 de dezembro deixou o Comitê Federal de Mercado Aberto, que define a política monetária, excepcionalmente dividido. Três de seus 12 membros votantes divergiram, com um a favor de um corte ainda mais profundo e dois a favor de nenhuma redução.

Essas mesmas divergências se estenderam até 2026, e dados econômicos recentes pouco fizeram para mudar a perspectiva das autoridades mais preocupadas com o fato de a inflação não estar voltando para a meta de 2% do banco central, ou daquelas mais preocupadas com o aumento da taxa de desemprego se as condições de crédito não forem afrouxadas para incentivar mais gastos e investimentos.

É um debate que poderá moldar as primeiras semanas de mandato de quem for nomeado para substituir Powell no cargo mais alto do Fed, uma decisão que Trump deverá anunciar em breve. A expectativa é de que o sucessor de Powell esteja pronto para dirigir a reunião de política monetária do banco central em 16 e 17 de junho. 


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