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Empresários e centrais sindicais veem cautela na decisão do Copom

SÃO PAULO. Entidades empresariais e centrais sindicais lamentaram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter o ritmo de corte da taxa Selic em um ponto percentual. Em comunicado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que foi a "recente turbulência política" que impediu que o Banco Central acentuasse o ritmo de queda dos juros.

"A redução de um ponto percentual promovida hoje pelo Copom poderia ter sido maior, caso o ambiente de incertezas não tivesse dificultado os horizontes da economia", diz a CNI, lembrando que a inflação situa-se abaixo da meta para este ano.

Para a CNI, a intensidade do ritmo de queda dos juros, agora, dependerá da solução das incertezas políticas, de modo a viabilizar a continuidade das reformas em discussão no Congresso. "Na avaliação da CNI, as reformas são cruciais tanto para a garantia do equilíbrio fiscal de longo prazo como para a modernização das relações econômicas e a elevação da competitividade dos produtos brasileiros. São, portanto, fundamentais para a consolidação do crescimento econômico".

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) destaca que os sinais de recuperação da economia ainda são muito incipientes, e como a inflação mantém-se em trajetória cadente, há espaço para que o Copom dê continuidade ao processo de redução da taxa de juros. "A duração e a intensidade desse processo, contudo, dependem da aprovação das reformas, fator chave para o equilíbrio das contas públicas e para a retomada do crescimento econômico e da geração de empregos", diz a Firjan, em comunicado.

Para o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o Copom errou ao não promover corte "mais incisivo" da taxa de juros, diante das expectativas de inflação abaixo da meta tanto para 2017 como para 2018. “Ao não acelerar a queda dos juros, o Banco Central retarda o processo de retomada da economia e da geração de empregos”, disse Skaf, em nota.

A redução de um ponto da taxa Selic anunciada hoje, na avaliação da Força Sindical, de pouco vai servir para a recuperação da economia brasileira.

"Precisamos ser mais arrojados no que se refere à taxa de juros. O Brasil não pode ficar à mercê de tanta cautela quando tantos brasileiros não têm acesso sequer a produtos básicos para sua subsistência. O excesso de zelo é a tranca que fecha as portas do crescimento econômico", disse o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.

Antonio Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), faz coro e diz que o corte de um ponto pouco ajudará na reversão do quadro recessivo e de desemprego nas alturas.

"É imprescindível que o Copom execute cortes mais acentuados para que o Brasil cresça de maneira acelerada. Os juros altos desestimulam o investimento e reduzem a capacidade produtiva, freando, consequentemente, o consumo e aumentando drasticamente o custo da dívida pública, que mantém os altos lucros do sistema financeiro em detrimento das condições de vida do povo brasileiro", diz o dirigente da CSB.

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