SÃO PAULO - Quem fez aplicações em fundos cambiais conquistou em maio uma rentabilidade expressiva em um mês marcado pelo aumento da turbulência nos mercados financeiros. Essas carteiras lideraram o ranking de aplicações, segundo a alta do dólar registrada no período. Já a pior opção ficou com as carteiras que investem em ações. No entanto, no acumulado do ano, as posições se invertem, os investimentos em ações foram as melhores opções e os em moeda estrangeira, a pior.
Os fundos cambiais tiveram um rendimento de 2,61% no mês até o dia 26, último dado disponibilizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A justificativa para esse ganho foi a alta do dólar no mês passado, de 1,95%, uma das consequências da crise política deflagrada após a divulgação do conteúdo da delação premiada dos executivos da JBS, que citaram o pagamento de propina a mais de 1800 políticos, entre eles o presidente Michel Temer.
Como a turbulência política deve continuar, mesmo que com a volatilidade um pouco menor, a orientação de especialistas é manter a cautela.
— A incerteza política vai continuar a interferir na economia. Não vamos ter uma cenário de forte volatilidade igual a maio, mas ainda é preciso cautela — disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.
As ações foram os ativos que sofreram a maior volatilidade em maio. No dia 18, primeiro dia de negociação após as delações da JBS, o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip) registrou a maior queda desde 2008 e teve os negócios suspensos por meia hora, com a adoção de um mecanismo chamado “circuit breaker“, que também não era utilizado desde 2008, ao da crise financeira global.
Em meio a esse cenário, os fundos de ações livre foram o pior investimento do mês, com uma rentabilidade negativa de 1,83%. O Ibovespa, em maio, caiu 4,11%
Segundo Figueredo, apesar do cenário de incerteza, para quem busca ganhos de longo prazo, é um bom momento para comprar ações, já que alguns papéis ainda estão com um preço considerado abaixo do potencial.
Fabio Colombo, administrador de investimentos, concorda com a avaliação e recomenda cautela.
— Em razão da queda do Bolsa, em maio, a recomendação é de compra gradativa e parcial da carteira de ações —disse.
No acumulado do ano, os extremos trocam de posição. Os fundos de ações livres acumulam os maiores ganhos, com 8,45%, e os cambiais, os priores, com alta de apenas 1,11%, abaixo inclusive da caderneta de poupança, que de janeiro a maio registra alta de 2,97%.
Para junho, os investidores devem ficar atentos ao andamento da crise política. No próximo dia 6, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve votar a cassação da chapa Dilma-Temer. O andamento das reformas e os indicadores econômicos no Brasil também são importantes. do ponto de vista externo, a economia americana e a chinesa podem influenciar os negócios por aqui.
Fundos cambiais*: +2,61
Dólar comercial: +1,95%
Fundos renda fixa curta duração*: +0,81%
Fundos renda fixa duração livre*: +0,61%
Caderneta de poupança: +0,58%
Fundos multimercados livre*: -0,27%
Fundos de ações índice ativo*: -1,78%
Fundos de ações livre*: -1,83%
Ibovespa: -4,11%
IGP-M: -0,93%
Fundos de ações livre*: +8,45%
Fundos de ações índice ativo*: +8,14%
Fundos renda fixa curta duração*: +4,75%
Fundos multimercados livre*: +4,57%
Fundos renda fixa duração livre*: +4,52%
Ibovespa: +4,12%
Caderneta de poupança: +2,97%
Fundos cambiais*: +1,11
Dólar comercial: -0,46%
IGP-M: +1,29%
*até 26 de maio
Fonte: Anbima, CMA e FGV
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