SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nesta edição, você terá motivos para prestar atenção no que vai acontecer em uma pequena região do estado de Wyoming, nos Estados Unidos. Uma dica: pode mudar os rumos do mercado financeiro nos próximos meses.
Também aqui: Alexandre de Moraes tem menos opções para pagar as conta e outros destaques do mercado nesta quinta-feira (21).
**NEM NO CRÉDITO, NEM NO DÉBITO**
Ao ser questionado sobre como deseja realizar um pagamento, Alexandre de Moraes terá menos opções de resposta.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) teve um cartão de bandeira americana bloqueado por ao menos um banco no Brasil desde a imposição de sanções financeiras pelo governo dos Estados Unidos.
↳ O uso de bandeiras dos EUA como Visa, Mastercard, Diners e American Express se enquadraria nas sanções porque a Lei Magnitsky, na qual foram baseadas as sanções, impõe restrições às relações entre empresas do país e os alvos da norma.
↳ Explicamos na edição de ontem da newsletter o que é a Lei Magnitsky e por que ela representa um risco para o sistema bancário brasileiro. Clique para ler na íntegra.
Até o momento, é a maior punição aplicada ao magistrado com base na legislação americana.
A punição ocorreu antes da decisão do também ministro do STF Flávio Dino, que blinda o colega de efeitos da lei.
PODE SER PEPSI?
Em troca, a instituição ofereceu a Moraes um cartão da bandeira brasileira Elo, para que ele faça pagamentos no Brasil sem as restrições impostas pelo governo Trump.
Na avaliação de analistas do mercado, a Elo estaria menos vulnerável por concentrar suas operações no Brasil. A empresa pertence a Banco do Brasil, Bradesco e Caixa.
Operadores do mercado avaliam que a aplicação de medidas previstas na Lei Magnitsky em relação a Moraes pode endurecer com o passar do tempo.
MANDOU AVISAR
Em entrevista à Reuters, Alexandre de Moraes descartou por ora contestar na Justiça americana sua inclusão na Lei Magnitsky.
"É plenamente possível uma impugnação judicial [nos Estados Unidos] e até agora não encontrei nenhum professor ou advogado brasileiro ou norte-americano que ache que a Justiça não iria reverter, disse.
Ele afirmou que a medida pouco alterou sua rotina e disse saber de divisões internas no governo norte-americano que retardaram as sanções e ainda podem enfraquecê-las.
Eu acredito que o próprio Poder Executivo dos Estados Unidos, o presidente, vai reverter [a aplicação da Magnitsky sobre ele]", declarou Moraes.
**O BURACO DO JACKSON**
E se te disséssemos que, nos próximos três dias, o lugar mais importante do mundo é o buraco do Jackson? Não seria brincadeira.
O Simpósio de Política Econômica Jackson Hole, organizado pelo Federal Reserve de Kansas City, começa nesta quinta-feira e termina no sábado (23). Os principais líderes da economia global estão reunidos no estado de Wyoming, nos Estados Unidos.
Curiosidade: Jackson Hole é considerada uma das regiões mais desiguais do país.
POR QUE IMPORTA?
Todos os anos, o mercado presta atenção no que será dito no simpósio para entender os rumos da economia global.
Lá, estão presentes conselheiros do Fed, representantes da política monetária de vários países, executivos, investidores é uma das raras ocasiões que reúnem nomes de peso em um só lugar. Das conversas e reuniões, saem definições importantes.
O mercado financeiro americano está em clima de cautela, esperando as definições que podem sair do evento para fazer negociações. Os índices S&P 500 e Nasdaq recuaram no pregão de ontem.
Aí vai uma lista do que você tem que ficar de olho para não perder o que é importante:
[1] Discurso de Jerome Powell
O presidente do banco central americano falará na sexta-feira (22). Quase todo mundo está de olho no que ele tem a dizer, já que é esperado algum indicativo de quando a taxa básica de juros dos EUA deve cair.
[2] Possíveis substitutos
Não é segredo que Donald Trump quer a cabeça do presidente do Fed até de mula teimosa o chefe da política monetária já foi chamado.
Nomes como Michelle Bowman e Christopher Waller estão entre os cotados para assumir a instituição com a saída do atual presidente. Os olhos também estarão nos movimentos da dupla ao longo do evento.
[3] Mercado cripto
Os representantes das novidades se fazem presentes no evento, com o apoio da família Trump. Eric Trump, Paul Atkins (presidente do SEC, o equivalente à CVM no Brasil), e dois diretores do Fed devem participar do Simpósio de Blockchain de Wyoming, nos arredores do centro de convenções principal.
O evento coroa o que analistas do Goldman Sachs descreveram como um "verão das stablecoins".
**NA MIRA DA CVM**
O enrosco da compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília) já foi carinhosamente apelidado nesta newsletter de história sem fim. Fazendo jus à alcunha, ela ganhou mais um capítulo.
Uma reportagem do Estado teve acesso a documentos de uma investigação sigilosa da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que aponta a suspeita de crimes financeiros na gestão do Master.
COMO ASSIM?
O Master teria investido R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade econômica suficiente para dar algum retorno a eles.
Procurado pelo jornal, o Master disse que esses investimentos já foram integralmente quitados, não havendo qualquer exposição.
O documento acessado afirmaria que as operações podem ter inflado artificialmente o patrimônio do banco para torná-lo mais atrativo em negociações ou seja, parecer maior do que é.
A principal suspeita da Comissão envolve um investimento de R$ 361 milhões em uma pequena clínica médica em Contagem (MG).
A empresa registrou receita operacional de R$ 54 mil ao ano antes do momento em que teria recebido a injeção milionária.
PARA NÃO SE PERDER
Em março, o BRB anunciou que adquiriria 58% do Master. A operação provocou discussões entre o Banco Central e os principais bancos do país sobre o uso do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que garante as aplicações dos clientes até R$ 250 mil.
O banco comandado por Daniel Vorcaro vendia CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com rendimentos muito acima da média praticada no mercado, usando o FGC como incentivo para os investidores apostarem no ativo.
Depois de avaliar a carteira de investimentos do Master e ver que há muita coisa com riscos elevados ali, o BRB diminuiu o tamanho da fatia que vai adquirir para um terço do banco R$ 25 bilhões em ativos, cerca de metade do plano inicial.
**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**
Agora vai? A maioria dos conselheiros do Cade votou pela aprovação da fusão entre Marfrig e BRF sem restrições.
Cabe mais? Os bancos JPMorgan e MUFG estão próximos de selar um acordo de US$ 22 bilhões para construir um data center de grande capacidade nos Estados Unidos.
Todo mundo vai para a Disney (?) A Azul aumentou o número de voos para Orlando depois de encerrar operações em 14 cidades brasileiras.


