RIO E SÃO PAULO - A rejeição do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula e um clima mais favorável no mercado externo fizeram o Ibovespa, principal índice de ações do mercado local, fechar em alta de 1,01% nesta quinta-feira, aos 85.209 pontos. Já o dólar comercial fechou praticamente estável (+0,02%), cotado a R$ 3,342, em um cenário de valorização da moeda americana no exterior.
A decisão do STF abriu caminho para uma eventual prisão de Lula, o que pode limitar sua influência nas eleições presidenciais neste ano. Os advogados do ex-presidente, no início da tarde.
— A decisão do Supremo de ontem à noite foi positiva para o mercado e, ao mesmo tempo, temos um cenário externo mais favorável. É difícil separar o quanto da alta de hoje se deve a um ou outro fator — avaliou Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos.
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No início dos negócios, sob influência do cenário político, o indicador de ações chegou a subir 2,1% e o dólar a recuar 1%. No entanto, com a abertura das Bolsas americanas, os investidores foram fazendo ajustes.
— O mercado abriu com uma alta eufórica, que parecia momentânea — afirmou Pablo Stipanicic Spyer, diretor de operações da Mirae Asset.
Segundo ele, também contribuiu para a valorização da Bolsa a percepção de que as empresas brasileiras podem ser beneficiadas em algum momento pela guerra comercial entre Estados Unidos e China. Isso porque uma das retaliações da China está relacionada à soja produzida nos Estados Unidos.
Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora, lembra que reduziu no cenário externo o grau de tensão com a guerra comercial. Os principais índices acionários globais operam em alta com a expectativa de que a retórica protecionista do presidente americano, Donald Trump, não irá resultar em políticas comerciais igualmente rigorosas. Esse fator positivo se somou ao julgamento do STF,
— A decisão do STF, que praticamente enterra a chance de Lula ter alguma participação nas eleições, e a recuperação do mercado americano fazem a Bolsa subir e as principais ações operarem em alta — avaliou.
No entanto, apesar do ambiente positivo, o especialista lembra que os investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros, estão de olho em fatos novos no campo político e econômico que possam contribuir para os ativos brasileiros ganharem força.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones teve alta de 0,99% e o S&P 500 subiu 0,69%. Na Europa, a alta foi maior. O DAX, de Frankfurt, fechou com ganhos de 2,90%, e o FTSE 100, de Londres, registrou valorização de 2,62%.
Em meio a esse ambiente, as ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras avançaram 3,77%, cotadas a R$ 21,15, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) tiveram valorização de 2,72%, a R$ 23,34, mostrando alta expressiva mesmo em um dia em que o petróleo apresentava alta de apenas 0,62% (US$ 68,44 o barril do tipo Brent) próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.
Já as da Vale subiram 1,64% (R$ 43,25). O setor bancário, de maior peso na composição do Ibovespa, também fechou o pregão com ganhos, mas de forma mais modesta. As preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco subiram, respectivamente, 0,19% e 0,30%. No entanto, entre as instituições financeiras, a maior valorização foi registrada pelo Banco do Brasil: 2,92%.
A maior alta do Ibovespa, no entanto, foi registrada pelos papéis da Gerdau e Gerdau Metalúrgica, que avançaram, respetivamente, 6,71% e 6,52%. Entre as quedas, a mais significativa do índice foi a da BR Foods, que afundou 4,37%. Era esperada para hoje a renúncia do presidente do Conselho de Administração da empresa, Abílio Diniz, mas a saída do empresário ainda não foi confirmada.



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