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Banco Master compra Will Bank, fintech que mira desbancarizados das classes C e D

Por Folha de São Paulo

26/02/2024 7h31 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) Banco Master compra Will Bank, fintech que mira desbancarizados das classes C e D, e o que mais importa no mercado.

*BANCO MASTER COMPRA WILL BANK*

O Banco Master anunciou a compra do Will Bank, fintech que mira o público desbancarizado das classes C e D e possui forte presença no Nordeste do país.

A transação, que não teve valores divulgados, adicionou 6 milhões de usuários à base do Master, que passa a ter 10,5 milhões de clientes no varejo.

O will bank: fundado em 2017, a fintech aposta em campanhas de marketing para chegar ao público "esquecido" pelos bancos.

A porta de entrada do cliente é o cartão de crédito. O banco digital também oferece empréstimo, plataforma de investimentos, conta digital e marketplace.

Em 2021, recebeu um investimento de R$ 250 milhões da Atmos Capital e de um fundo de private equity da XP –que segue como sócio minoritário da operação.

Em entrevista à coluna Painel S.A. no ano passado, o CEO Felipe Felix –que agora deixa a operação junto com os outros fundadores – afirmou que o Nordeste era o principal mercado da fintech por concentrar 40% da população desbancarizada do país.

Com 1.200 funcionários, o Will Bank registrou receita de R$ 2,8 bilhões em 2023.

A estratégia: com a compra, o Master aposta na venda cruzada (cross-selling) do portfólio das duas instituições.

↳ "Vamos oferecer produtos de crédito para nossos clientes do Credcesta e produtos de seguro e outros para os atuais clientes do will" disse em nota Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master.

O Banco Master, que acaba de separar as operações de varejo e atacado em uma reorganização societária, diz ter registrado lucro líquido de R$ 291 milhões no primeiro semestre do ano passado. A projeção para 2024 é alcançar R$ 1 bilhão.

A compra do Will Bank ainda depende do aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do BC (Banco Central).

*INVESTIMENTO EM STARTUPS REGISTRA NOVO TOMBO*

Após ter caído pela metade em 2022, o volume de investimentos em startups brasileiras tombou mais uma vez no ano passado.

O recuo anual foi de 42%, com os aportes somando US$ 3,1 bilhões (R$ 15,45 bi) em 2023, conforme levantamento da plataforma Sling Hub com o Itaú BBA.

É o pior ano desde 2018.

O que explica: o cenário brasileiro segue a tendência global iniciada em 2022, quando os EUA começaram o processo de aperto monetário.

↳ O movimento valorizou os juros americanos e diminuiu o apetite a risco dos investidores.

↳ Como reflexo, os gestores de fundos de venture capital –especialistas em aportes em startups– seguraram o dinheiro e passaram a ser mais seletivos na hora de escolher seus alvos. Geração de caixa passou a ser a palavra de ordem.

O mercado brasileiro, porém, foi menos impactado que o global e que o regional. Em 2023, o país aumentou de 44% para 54% sua participação sobre o total de investimentos feitos no setor na América Latina.

Isso porque o tombo nos aportes em startups da região foi maior –de 54% em 2023 ante o ano anterior.

O que esperar para este ano? Com o Brasil à frente das principais economias no processo de corte de juros, há chance de vermos negócios movimentando mais dinheiro por aqui.

Tudo vai depender, porém, do que acontece nos EUA. As Bolsas nas máximas por lá são um bom indicativo, ainda que o foco dos grandes investidores esteja principalmente em startups de IA –algo que ficamos para trás por aqui.

Outros destaques:

- 46% das rodadas latino-americanas envolveram investimentos de menos de US$ 1 milhão em 2023. Assim como no ano anterior, os grandes aportes ficaram mais escassos.

- As maiores rodadas envolvendo equity (investimento em troca de participação acionária, não envolve dívida):

QITech - US$ 198 milhões (R$ 986 milhões)

Loft - US$ 100 milhões (R$ 498 milhões)

Gympass - US$ 85 milhões (R$ 423 milhões)

Creditas - US$ 70 milhões (R$ 348 milhões)

Superbac - US$ 62 milhões (R$ 309 milhões)

*HIDRELÉTRICAS PERDEM ESPAÇO PARA EÓLICA E SOLAR*

As usinas hidrelétricas ainda são a principal fonte da matriz energética brasileira, mas em momentos de menor demanda –ou maior oferta– elas têm "desperdiçado" energia.

O que explica: o crescimento das fontes eólica e solar, que ficaram mais baratas com o passar dos anos e hoje são os principais alvos de investimento do mercado.

Em números:

53% da capacidade instalada de energia do Brasil vem das hidrelétricas; em sete anos, a fatia deve cair para 42%.

11,5% e 11,8% da capacidade nacional vêm da eólica e da solar, respectivamente. Em 2031, eles devem ser de 11% e 18%.

16 gigawatts (cerca de 21% da demanda) deixaram de ser produzidos pelas hidrelétricas brasileiras em fevereiro do ano passado.

Como há desperdício? Em momentos de menor demanda energética, são as hidrelétricas as responsáveis por diminuir a produção de energia, por causa da facilidade técnica e do menor preço das energias eólica e solar.

No processo, elas escoam a água que seria utilizada para a geração de energia, num processo chamado vertimento.

Sim, mas… As hidrelétricas ainda desempenham um papel importante para garantir flexibilização ao sistema.

Quando não há sol ou quando os ventos diminuem, são elas as responsáveis por garantir o fornecimento de energia –já que os sistemas de armazenamento de energia ainda engatinham no país.

*ALTERNATIVAS ÀS MUDANÇAS NAS LCIS E LCAS*

As novas regras para emissões de LCIs e LCAs promovidas pelo governo não apenas restringiram a oferta desses títulos para empresas efetivamente do agro e do setor imobiliário, mas também reduziram o prazo mínimo de resgate aos investidores.

O que mudou:

↳ LCIs: o prazo mínimo de carência passou de 90 dias para 12 meses. As corrigidas mensalmente por algum índice de preço, como o IPCA, continuam com vencimento mínimo de 36 meses.

↳ LCAs: o mínimo de 3 meses passou para 12 meses, quando for atualizada por índice de preços, e para 9 meses nos demais casos.

Entenda: esses títulos têm como principal incentivo a isenção de IR (Imposto de Renda) no rendimento dos investidores.

Seu principal objetivo é destinar recursos à produção agrícola e à atividade imobiliária, mas o governo identificou empresas de setores diversos e sem relação alguma com essas atividades que estavam pegando carona na emissão dos papéis.

O que muda para o investidor? Enquanto a restrição deve diminuir a oferta dos títulos, o prazo maior de resgate deve impedir o uso desses papéis como uma reserva de emergência –caracterizada por alta liquidez e baixo risco.

As alternativas com risco semelhante são CDBs de bancos grandes, que remuneram cerca de 100% de CDI (acompanha a Selic), fundos de renda fixa e Tesouro Selic, todos com liquidez diária e cobrança de IR.

Para quem não precisa utilizar o dinheiro aplicado no curtíssimo prazo, LCIs e LCAs continuam muito vantajosas aos investidores, dizem analistas.


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