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Ações da JBS disparam mais de 20%; Ibovespa fecha estável

SÃO PAULO - As ações da JBS dispararam e fecharam em alta de 22,53%, cotadas a R$ 8,21, liderando as altas do Ibovespa. Ainda assim, o índice, o principal da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip), fechou perto da estabilidade, com leve recuo de 0,04%, aos 63.226 pontos, pressionado pelo desempenho negativo das ações da Petrobras. Já o dólar comercial fechou em leve alta de 0,09%, a R$ 3,284 - mas na máxima do pregão chegou a R$ 3,299.

Segundo Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, a alta dos papéis da JBS está atrelada à expectativa de venda de alguns ativos da controladora, a J&F, mas também ao fato de acumularem uma perda elevada no ano, em torno de 30%, o que abre espaço para a entrada e investidores que buscam ganhos no curto prazo. Um terceiro fator é o programa de recompra de ações, que foi anunciado em fevereiro, e que vai até agosto de 2018, e pode estar em prática pela empresa.

— Há a expectativa de venda de ativos da J&F e um pouco de recompra de ações, mas a alta é mais um movimento de especulação. O papel ficou barato e está com liquidez, então alguns investidores aproveitam para tentar ganhos de curto prazo — disse.

As ações da Alpargatas, controlada pela J&F, subiram 4,04%. A dona da marca Havaianas é dada como uma das empresas do grupo que pode ser vendida.

As tensões e indefinições no ambiente político deixaram os negócios mais voláteis. O índice variou entre uma alta de 1,16% e uma queda de 0,78%. Analistas destacam ser preocupante a indefinição política e o clima de tensão em Brasília, o que deve dificultar a situação do presidente Michel Temer e os trabalhos no Legislativo. “Chama atenção a enorme dificuldade que o governo está tendo nas votações. Projetos simples de serem aprovados estão gerando bate boca e até agressões físicas entre os parlamentares”, afirmaram analistas da Yield Capital.

Apesar da queda registrada hoje, Tiago Reis, analista da Suno Research, avalia que há boas oportunidades para o investidor de longo prazo, já que muitas ações consideradas boas estão com preço atrativo desde quinta-feira, quando o Ibovespa teve um forte tombo em decorrência do envolvimento do presidente Temer na atual fase da crise política.

— É difícil projetar o comportamento da Bolsa no curto prazo, mas a volatilidade criou oportunidades em empresas sólidas para o investidor de longo prazo — afirmou, citando como exemplo os papéis do Itaú, Itaúsa e BB Seguridade.

As principais ações do Ibovespa operaram em terreno negativo hoje . No caso da Petrobras, contribuiu ainda a queda do petróleo no mercado externo - o do tipo Brent recuava 5%, a US$ 51,26, após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ter anunciado a prorrogação do corte da produção. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) caíram 1,43%, cotadas a R$ 13,74, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) tiveram recuo de 2,36%, a R$ 14,46. Nesta quinta, a estatal divulgou que vai exercer o direito de preferência em três lotes do pré-sal.

As demais ações mais negociadas da B3 também operaram em queda ou perto da estabilidade. No caso dos bancos, que têm o maior peso na composição do Ibovespa, o pregão também foi de perdas. As preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco caíram, respectivamente, 1,87% e 0,69%. As do Santander recuaram 2,64%. O Banco do Brasil foi a exceção e teve alta de 0,39%.

A Vale conseguiu uma leve recuperação no final do pregão. As PNs subiram 0,57%e as ONs fecharam com alta de 0,65%. Também operaram em alta as ações da Suzano e da Fibria, com ganhos de, respectivamente, 5,60% e 6,02%. Além de serem beneficiadas pela alta do dólar, essas empresas também conseguiram reajustar o preço de seus produtos no mercado externo, com a recuperação dos preços da celulose.

No exterior, os mercados americanos têm um pregão positivo. O Dow Jones sobe 0,43% e o S&P 500 tem alta de 0,47%. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, fechou em queda de 0,17% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, e o FTSE 100, de Londres, ficaram perto da estabilidade, com pequena variação positiva de 0,02% e 0,04%.

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