O presidente da República ironizou em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, na segunda-feira (28), as torturas sofridas pela ex-presidente Dilma Rousseff, em 1970, durante a ditadura militar.
“Os cara se vitimizam o tempo todo. Tem um fato aí de uma pessoa só procurar na internet que acho com facilidade que diz que a Dilma foi torturada, que fraturaram a mandíbula dela. Eu disse, traz o raio-x aí, de repente a gente vê o calo ósseo. Olha que não sou médico, mas até hoje tô esperando o raio-x”, diz o presidente aos risos.
Dizer que Jair Bolsonaro é verme é uma ofensa aos vermes. Ele rebaixa a instituição da presidência da República a níveis subterrâneos e envergonha o país e o mundo.
Em mais um ataque sórdido contra a presidenta Dilma e as outras vítimas das atrocidades da Ditadura, Bolsonaro ri. pic.twitter.com/NVs0RwhMP9— De Lucca (@delucca) December 28, 2020
As provocações a Dilma ocorreram após um apoiador questionar o presidente sobre o atentado que ele sofreu durante a campanha eleitoral de 2018. Na década de 1970, a ex-presidente Dilma Rousseff, ficou presa durante três anos. Na conversa com apoiadores, Bolsonaro também chegou a ironizar a participação dos ex-maridos de Dilma em movimentos contrários ao regime militar.
Políticos como Ciro Gomes e até o ex-presidente Lula, saíram em defesa de Dilma.
“Bolsonaro ataca Dilma por ser frouxo, corrupto e incapaz. Enquanto ela defende suas convicções, ele vende o país ao estrangeiro e, por sua irresponsabilidade, quase 200 mil brasileiros já perderam suas vidas.”, disse Ciro em seu Twitter.
Já Lula, escreveu: “O Brasil perde um pouco de sua humanidade a cada vez que Jair Bolsonaro abre a boca. Minha solidariedade a presidenta Dilma, mulher detentora de uma coragem que Bolsonaro, um homem sem valor, jamais conhecerá.”
Dilma Roussef também rebateu Bolsonaro, por meio de nota. Veja a íntegra:
"ÍNDOLE DE TORTURADOR
Jair Bolsonaro promoveu mais uma de suas conhecidas sessões de infâmia e torpeza, falando a um pequeno grupo de apoiadores, nesta segunda-feira, 28 de dezembro.
Como não respeita nenhum limite imposto pela educação e pela civilidade, uma exigência a qualquer político, e mais ainda a um presidente da República, desmoraliza mais uma vez o cargo que ocupa. Mostra-se indigno ao tratar com desrespeito e com deboche o fato de eu ter sido presa ilegalmente e torturada pela ditadura militar. Queria provocar risos e reagiu com sórdidas gargalhadas às suas mentiras e agressões.
A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos. Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela Covid-19 que, aliás, se recusa a combater. A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram.
É triste, mas o ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista. E, no poder, tem agido exatamente como um fascista. Ele revela, com a torpeza do deboche e as gargalhadas de escárnio, a índole própria de um torturador. Ao desrespeitar quem foi torturado quando estava sob a custódia do Estado, escolhe ser cúmplice da tortura e da morte.
Bolsonaro não insulta apenas a mim, mas a milhares de vítimas da ditadura militar, torturadas e mortas, assim como aos seus parentes, muitos dos quais sequer tiveram o direito de enterrar seus entes queridos.
Um sociopata, que não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos, não merece a confiança do povo brasileiro.
DILMA ROUSSEFF"

