Familiares da menina Heloísa dos Santos Silva, 3, morta por um agente da Polícia Rodoviária Federal, revelaram que no momento em que a criança era atendida no CTI de um hospital do Rio de Janeiro, 28 agentes da corporação foram ao local e que um deles tentou intimidá-los.
A tia da vítima contou ao Ministério Público Federal, que os policiais vasculharam o carro baleado por um certo tempo.
“Inclusive [a tia] relatou que um dos policiais que não participou do ocorrido apontou-lhe um projétil e disse que aquele projétil atingiu o veículo deles, numa tentativa inequívoca de intimidar a testemunha e incutir nela a versão sustentada pelos policiais. Isto tudo ocorreu no ambiente hospitalar, quando a vítima Heloisa recebia atendimento médico cirúrgico”, afirma o procurador da República Eduardo Benones.
Enquanto isso, um agente da PRF conseguiu acessar a área do CTI do Hospital Adão Pereira Nunes e abordou o pai de Heloísa.
Durante, o que o MPF classificou como “assédio”, o policial tentou falar sobre o ataque sem prestar qualquer apoio à família. Ele já foi identificado e denunciado pelo procurador.
“O policial rodoviário federal Newton Agripino de Oliveira Filho, conforme amplamente divulgado nos veículos de mídia nacional, ingressou sem autorização nas dependências do CTI do Hospital em questão. De mais a mais, este policial assediou o pai de Heloísa, buscando estabelecer conexões sem que isto fizesse parte de qualquer estratégia de ajuda institucional”, detalha.
Heloísa passou 9 dias internada após ser baleada na cabeça, mas não resistiu ao ferimento e morreu no último sábado (16).
O policial que atirou na criança, Fabiano Menacho Pereira, confessou os disparos e teve o pedido de prisão representado pelo MPF. Os colegas, Matheus Domicioli Soares Viegas Pinheiro e Wesley Santos da Silva, que estavam com ele, também tiveram a prisão requisitada.
“Fatos como os acima narrados causaram um abalo psicológico concreto nas vítimas, as quais, obtempere-se, já estavam e estão fragilizadas por terem passado pela traumática experiência de terem o carro cravejado de tiros e um familiar de apenas 3 anos de idade lesionado por tiros de fuzil. Claro está que a testemunha foi intimidada como forma de manipular a investigação e que continuará a sê-lo caso não haja intervenção judicial”, explica.
O procurador também solicitou uma nova perícia no fuzil usado pelo atirador.

