O trabalho de conclusão de curso de uma estudante de Direito do Ceará ganhou repercussão nacional depois que a foto da defesa da monografia começou a circular no TikTok, no Instagram e no X. Clara Emilly de Souza, de 22 anos, formanda pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, em Sobral, apresentou no fim de julho a pesquisa intitulada "Antes Elize do que Eliza": a violência de gênero e a escandalização midiática do processo penal nos casos Elize Matsunaga e Eliza Samudio. O trabalho foi aprovado com nota máxima.
A frase que abre o título é uma expressão já repetida nas redes sociais e foi usada pela autora como objeto de estudo, não como opinião própria. Ainda assim, parte dos internautas passou a acusar a jovem de fazer apologia ao crime sem ter lido o conteúdo da monografia. Diante das críticas, ela publicou um vídeo explicando a proposta da pesquisa e afirmou que a expressão aparece entre aspas justamente por ser uma fala de terceiros analisada academicamente.
Segundo a autora, o objetivo não é comparar juridicamente as duas situações, que são distintas: Eliza Samudio foi vítima de um assassinato ocorrido em 2010, crime pelo qual o goleiro Bruno foi condenado, enquanto Elize Matsunaga matou o marido, Marcos Matsunaga, em 2012, foi julgada, condenada e está em liberdade desde 2022. A aproximação feita no estudo está na forma como a imprensa e a opinião pública construíram a imagem das duas mulheres, submetendo-as a um julgamento moral paralelo ao processo penal, em que se avalia se a mulher corresponde ou não ao modelo considerado aceitável pela sociedade.
Com mais de 130 páginas, a monografia investiga por que esse tipo de discurso ganha espaço nas redes e o que ele revela sobre a confiança das mulheres nas instituições encarregadas de protegê-las. A jovem atua hoje na assessoria jurídica da Defensoria Pública do Ceará, no núcleo especializado no enfrentamento à violência doméstica, e afirma ter recebido mensagens de apoio de mulheres de várias regiões do país depois da repercussão do trabalho.
Mulheres em situação de violência doméstica podem buscar ajuda pela Central de Atendimento à Mulher, no número 180, ou acionar a Polícia Militar pelo 190.



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