Após a mudança no Ministério da Defesa e a saída dos três comandantes das Forças Armadas, os senadores afirmaram em Plenário, nesta terça-feira (30), que querem esclarecimentos dessa pasta — que agora passou a ser chefiada pelo general Walter Souza Braga Netto — sobre um possível plano de golpe por parte do presidente da República, Jair Bolsonaro. Diante da preocupação dos parlamentares, o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, reafirmou a responsabilidade do Senado como guardião da democracia, mas também declarou que o foco da Casa deve ser o enfrentamento da pandemia.
"Eu faço uma súplica ao Senado Federal: não deixemos, em hipótese alguma, com episódios como os que aconteceram recentemente (no domingo, inclusive, com uma agressão desmedida e desqualificada [do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a uma senadora da República, Kátia Abreu), que possamos perder o foco principal do Brasil neste momento. Essa sistemática utilização de narrativas de desvio de foco, de criação de fatos políticos, atrapalha muito o Brasil, e atrapalha o Brasil no momento mais crítico, em que se exige, repito, união, sabedoria, ações efetivas para poder enfrentar essa crise", declarou.
A reação dos senadores veio após o afastamento, na segunda-feira (29), do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva — que deixou o cargo afirmando ter “preservado as Forças Armadas como instituições de Estado”. Essa declaração, na avaliação de alguns senadores, é preocupante, pois poderia indicar uma tentativa de interferência de Bolsonaro sobre as Forças Armadas. Nesta terça-feira, depois da troca no Ministério da Defesa, também foram substituídos os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
Requerimento
O convite para que Braga Netto faça os esclarecimentos ao Senado está previsto no requerimento apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Apesar de o requerimento ter sido apoiado pelos senadores, Rodrigo Pacheco informou que irá deliberar sobre a sua inclusão na pauta do Plenário na reunião de líderes, prevista para a próxima segunda-feira (5).
Ao defender sua iniciativa, Alessandro Vieira explicou que o requerimento "é um convite que tem motivação muito evidente: buscar afastar a pressão que hoje vivemos, absolutamente conduzida através de redes sociais, comentários enviesados, teorias conspiratórias. Infelizmente, o Executivo tem falhado numa das coisas mais básicas das suas obrigações que é a comunicação transparente com a sociedade".
Prerrogativa
O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), reconheceu a prerrogativa do governo federal para realizar mudanças ministeriais, mas avaliou que o Senado não pode admitir desrespeito à Constituição.
"O que não pode, seja quem for o comandante de qualquer uma das Forças Armadas, seja quem for o ministro da Defesa, seja quem for o presidente da República, é desrespeitar a nossa Constituição, que todos nós juramos defender e cumprir, e descumprir o papel constitucional de cada um de nós", disse.



