BRASÍLIA — No parecer em que defendeu a manutenção da prisão do ex-ministro , a procuradora-geral da República, , afirmou que ele parece ter assumido a posição de líder de uma organização criminosa que desviou dinheiro público. O ministro , do Supremo Tribunal Federal (STF), concordou com a posição de Dodge, .
A procuradora-geral ressaltou que Geddel monitorou Raquel Pitta, esposa do operador Lúcio Bolonha Funaro, para saber se ele iria fechar um acordo de delação premiada, e destacou os R$ 51 milhões que foram encontrados em um apartamento ligado ao ex-ministro em Salvador.
"Em um primeiro momento, Geddel Quadros Vieira Lima violou a ordem pública e pôs em risco a aplicação da lei penal ao embaraçar investigação de crimes praticados organização criminosa. Num segundo momento, passados nem dois meses do primeiro, reiterou a prática criminosa (reiteração delitiva) ao ocultar mais de cinquenta milhões de reais de origem criminosa. Fez muito em pouco tempo”, escreveu Dodge.
Ela destacou ainda que "não há registro histórico no Brasil de apreensão maior de dinheiro e, ao que tudo indica, dinheiro público desviado e ocultado ilicitamente". Segundo Dodege, "trata-se de valor monumental que explicita a gravidade concreta do crime, em detrimento de bens juridicamente protegidos pelo direito penal: o patrimônio público, a honestidade no trato da coisa pública, a fé pública, a publicidade dos atos administrativos, a higidez do sistema de controle e fiscalização do dinheiro público, a regularidade na administração da justiça e, também, a credibilidade do sistema de justiça".
, ao lado do seu irmão, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), e outras cinco pessoas: o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ); o operador do PMDB em esquemas de corrupção Lúcio Bolonha Funaro; o ex-diretor-geral da Defesa Civil de Salvador Gustavo Ferraz; o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto; e Job Ribeiro Brandão, assessor do deputado.
"A instauração de inquérito criminal pressupõe indícios mínimos de materialidade e autoria de fato definido como crime. No caso concreto, mais do que indícios, há prova da materialidade delitiva do crime de ocultação de mais de cinquenta milhões de reais 'o - dinheiro decorrente de propina, ao que apontam as investigações - escondidos em malas naquele apartamento de Salvador", escreveu Dodge, ao pedir a investigação contra Lúcio Vieira Lima.
"Várias persecuções criminais de combate à corrupção dos últimos anos trazem indícios de que Geddel Quadros Vieira Lima - e possivelmente seu irmão, o deputado federal Lúcio Quadros Vieira Lima - tem se valido de interpostas pessoas para prática de crimes. É razoável pressupor que ninguém arrecada, transporta e mantém mais de cinquenta milhões de reais sozinho, sem o auxílio de terceiros. Não se ocultam malas e caixas com milhões de reais e de dólares sem um concerto de esforços organizados e estruturados por várias pessoas para obter vantagens decorrentes de crimes graves", acrescentou a procuradora-geral.

