A violência voltou a marcar a disputa por terras no oeste do Paraná. Na noite de sexta-feira (3), quatro indígenas Avá-Guarani foram vítimas de um ataque a tiros em uma área de conflito entre Guaíra e Terra Roxa. Uma criança está entre os feridos.
As vítimas, com idades entre 7 e 28 anos, foram levadas para o Hospital Bom Jesus de Toledo. Imagens divulgadas pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) mostram os indígenas feridos e cobertos de sangue, o que demonstra a gravidade do ataque.
De acordo com o CIMI, a comunidade foi surpreendida por uma emboscada e os agressores dispararam diversos tiros. A suspeita é que o grupo indígena estivesse sendo monitorado em diferentes pontos da aldeia.
Vilma Vera, da Comissão da Mulher Indígena da aldeia Yvy Okaju, relatou o clima de terror que se instalou na comunidade: "É uma guerra, na verdade. Nós estamos sendo atacados todos os dias, todas as noites. Nós não temos armas para nos defender. A única coisa que nós temos é o nosso corpo."
A Polícia Federal (PF) confirmou que está investigando o caso e que equipes federais, estaduais e municipais estiveram no local para evitar novos episódios de violência. A perícia realizada na manhã de sábado (4) deve fornecer mais informações sobre a dinâmica do crime.
O conflito por demarcação de terras na região oeste do Paraná é histórico e envolve indígenas Guarani e agricultores. A construção da Usina de Itaipu alagou diversas áreas rurais, gerando disputa por terras que não passaram por processo de demarcação. Os indígenas reivindicam novos territórios, enquanto os agricultores defendem seus direitos sobre a área em disputa.
A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) tem atuado na região desde o início de 2024, mas a presença das forças de segurança não tem sido suficiente para conter a violência. Os indígenas denunciam que a FNSP não estava presente no momento do ataque.

