BRASÍLIA - O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse nesta quinta-feira que já considerará um avanço se a Câmara votar a parte da reforma política que veio do Senado, que é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) relatada pela deputada Shéridan (PSDB-RR). Eunício defendeu ainda, ao GLOBO, a aprovação de uma proposta de financiamento público para custear as campanhas eleitorais com a utilização de verbas já existentes e destinadas aos políticos, por meio das fundações partidárias, programas eleitorais e outras verbas correlatas. Para ele, seria usar "dinheiro velho".
Eunício vem defendendo essa proposta desde a semana passada. O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), apresentou proposta semelhante. Na prática, o Senado está esperando o que vai acontecer na Câmara diante do impasse sobre a votação da reforma política em relação ao sistema eleitoral e a criação do fundo partidário.
Segundo líderes, com a viagem do presidente Michel Temer na próxima semana, e com o fato de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumir interinamente o comando do país, a reforma política corre o risco de ser votada na primeira semana de setembro. O vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), deve viajar também, e seria difícil votar a reforma política sem a presença de Maia.
Eunício disse que é contra o financiamento privado e que não promulgaria uma PEC neste sentido, como presidente do Congresso, caso ela fosse aprovada. No Senado, há um movimento neste sentido.
— Se votarmos o fim das coligações e a cláusula de desempenho, a proposta que está na Câmara e que veio do Senado será bom. E, no caso do financiamento de campanha, sou favorável a usar um "dinheiro velho", uma verba que está sendo gasta na política, com recursos das fundações partidárias, dos fundos partidários, de programas. O Congresso, se tiver prazo, vai fazer isso — disse Eunício.
Já na madrugada desta quinta-feira, líderes governistas e oposicionistas admitiam que nenhum lado tem votos suficientes para aprovar suas propostas: o distritão e o fundo público eleitoral. O líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB ), disse que só com acordo a reforma política sobre sistema eleitoral e financiamento de campanha, relatada pelo deputado Vicente Cândido. Na edição desta quinta-feira, O GLOBO já mostrou as dificuldades de a reforma política sair do papel.
O líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), defendeu que a reforma política seja votada, mesmo que as teses sejam derrotas e permaneça o atual sistema eleitoral, que é o majoritário.
— Tem hora que temos que votar — disse Baleia Rossi.
O vice-líder do PRB na Câmara, deputado Beto Mansur (SP), acredita que tanto o distritão como o fundo público serão derrotados em votação.
— Vai ficar o atual sistema eleitoral, com o fim das coligações. E o Senado vai aprovar um financiamento _ disse Beto Mansur, que defende a volta do financiamento privado.
Experiente na negociações , o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), acredita que, com a falta de acordo, a reforma política de Vicente Cândido nem irá mais à votação.
— Essa proposta vai ficar no limbo — disse Miro ao GLOBO.

