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PF suspeita que coronel amigo de Temer é dono de offshore investigada

BRASÍLIA – Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal concluiu que o coronel aposentado João Baptista Lima Filho, amigo do presidente Michel Temer e alvo da Operação Patmos, é possivelmente o verdadeiro dono da offshore Langley. Em delação premiada, um executivo da JBS afirmou que o coronel era o responsável por receber parte dos valores de propina supostamente destinada a Temer.

No relatório, a PF apresenta planilhas apresentando a situação financeira de Lima Filho e de suas empresas das quais é sócio: a PSA Projeto e Direção Arquitetônica Ltda e PDA Administração e Participação Ltda. Segundo os investigadores, “montantes explosivos” foram contabilizados próximo à data da busca e apreensão, feita em 18 de maio pela Operação Patmos. No mês anterior, o coronel e suas empresas tinham disponíveis, em contas-correntes e aplicações, R$ 23,66 milhões.

Os valores estavam em documentos apreendidos quando a operação foi deflagrada, em um apartamento no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. O imóvel pertencia à Langley e foi comprado, em 1995, por Lima Filho. Entre o material, foram apreendidos documentos, celulares, um Ipad e um computador. O relatório com a análise do material foi enviado ao STF em 20 de julho, mas só foi divulgado nesta segunda-feira. Entre os documentos, havia vários referentes à offshore Langley.

A Langley tem sede em Montevidéu, no Uruguai, e já veio à tona em 2007, na Operação Castelhana, que investigou uma quadrilha que teria cometido sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A quadrilha era especializada em ocultar o vínculo entre empresas e seus verdadeiros donos. Para isso, lançava mão de laranjas e empresas de fachada.

A Operação Patmos foi a responsável por colocar Temer na berlinda, junto com o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures e o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Lima Filho também é dono da empresa Argeplan Arquitetura e Engenharia Ltda, alvo das investigações.

Na delação premiada da JBS, o contador Florisvaldo Caetano de Oliveira, que seria responsável por entregar dinheiro a políticos, relatou ao menos dois encontros com Lima Filho. O primeiro teria sido para combinar como os valores seriam entregues. O segundo seria para dar R$ 1 milhão em espécie para o coronel. O destinatário final seria Temer.

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