Uma menina de 11 anos, que possui uma mutação genética rara que a fez pesar mais de 200 quilos, foi submetida a uma cirurgia bariátrica após a família dela levar o caso à Justiça para conseguir o procedimento.
A garota sofre de uma mutação, ainda sem tratamento, que afeta a região do cérebro responsável por entender e comunicar que o corpo já está saciado após uma alimentação.
"Uma proteína, que é a melanocortina 4, deve se ligar aos receptores para que o cérebro receba algumas mensagens importantes, como o controle do apetite e da fome. Quando essa proteína se liga, o nosso corpo entende que nós já estamos satisfeitos e que não precisamos comer mais. Mas pode acontecer uma mutação no receptor onde essa melanocortina 4 deve se ligar, que faz com que esse receptor não funcione, então a pessoa não sente que está satisfeita", explicou Julienne Carvalho, endocrinologista pediátrica o G1.
Por conta disso, a criança começou a desenvolver obesidade ainda muito cedo e chegou a pesar mais de 200 quilos. O problema fez com ela parasse de andar, de tomar banho sozinha e de executar qualquer tipo de atividade básica.
Por 9 anos os pais buscaram ajuda médica, submeteram a criança a dietas e medicações, mas nada resolveu a situação. Somente em junho deste ano é que o diagnóstico correto foi feito e a menina pode pleitear na Justiça o direito de fazer a bariátrica, já que no Brasil, por ser menor de 16 anos, ela não poderia enfrentar a cirurgia por conta dos riscos.
"A gente sabe que não vai ser fácil, mas é uma vitória. Eu lutei muito, nós lutamos muito para estar aqui. [...] O que mais penso é que depois da cirurgia e do medicamento nós vamos ter uma vida normal, porque até hoje nossa vida foi muito privada, muito difícil", relatou a mãe.
A mãe conta que por muito tempo a filha foi vítima de bullying por conta do distúrbio e por isso, ela e o pai, que são agricultores, evitavam sair e levavam uma vida muito reservada.
Mas agora, a expectativa é de que tudo mude. Com a cirurgia, realizada no dia 8 de novembro, a menina já perdeu alguns quilos e está recebendo todo o cuidado de uma equipe multidisciplinar com nutricionistas, psicólogos, psiquiatras e outros profissionais.
Ela segue internada no Hospital 28 de Outubro, em Curitiba (PR), e deve permanecer na instituição por 50 dias recebendo todo o suporte médico. Ela deve receber alta para continuar com as restrições em casa apenas em fevereiro.
Mas para ela, o período no hospital está sendo excelente com toda a atenção que tem recebido e com os resultados que ela já começou a perceber.

