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‘Paguei propinas a ele’, diz Pessoa sobre repasses a ex-gerente da Petrobras

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SÃO PAULO - Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, confirmou ao juiz Sergio Moro ter feito pagamentos em espécie ao ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves, o sucessor de Pedro Barusco na gerência da diretoria de serviços da Petrobras. Em depoimento por vídeoconferência nesta sexta-feira, Pessoa disse que pagou cerca de R$ 300 mil ao operador Mário Goes num bar no Centro do Rio, próximo à universidade Cândido Mendes, na rua da Assembleia.

O empresário disse que o dinheiro tinha origem nos contratos do consórcio TUC (Odebrecht, UTC e PPI) para obras do Comperj.

— Paguei propinas a ele (Gonçalves). Paguei algumas parcelas em espécie, de cerca de R$ 5 milhões aqui no Rio - disse Pessoa, acrescentando que os valores dos repasses foram divididos entre Barusco e Gonçalves.

O dono da UTC prestou depoimento como testemunha de acusação na ação em que Gonçalves é réu na Lava-Jato sob a acusação de receber propinas no esquema de corrupção da Petrobras. A denúncia indica que executivos das empreiteiras Odebrecht e UTC pagaram R$ 56 milhões em propinas a Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, e Roberto Gonçalves.

Gonçalves responde por corrupção, lavagem de dinheiro e pertinência à organização criminosa. Duque já foi condenado em ação sobre as propinas que recebeu durante seu período na estatal.

Os valores indevidos foram requisitados em dois contratos celebrados pela Petrobras em duas obras diferentes no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). O primeiro contrato, com o consórcio Pipe Rack (Odebrecht, UTC, Mendes Junior), teria rendido uma propina de R$ 18,6 milhões. No segundo, obtido pelo consórcio TUC (Odebrecht, UTC e PPI), os valores chegaram a R$ 38,2 milhões.

Moro dispensou da audiência o depoimento do doleiro Alberto Youssef. O juiz aceitou manifestação da defesa que entendeu que depoimentos de Youssef prestados em ações anteriores poderiam ser aproveitados. Pessoa afirmou que contratava Youssef para fazer a guarda de recursos ilícitos. O doleiro entregava dinheiro em espécie na sede da UTC e o empresário fazia pagamentos em espécie para Mario Goes, que operacionalizava os repasses a Gonçalves.

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