RIO - Ex-sócio do escritório da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, Thiago Aragão virou réu em mais um processo, dessa vez por obstrução à justiça. A denúncia foi aceita pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Ele já responde a ação por conta da Operação Eficiência e está preso desde janeiro. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Aragão embaraçou as investigações, forjando documentos ideologicamente falsos e constrangendo um pretenso colaborador ao propor um concerto de versões.
O MPF apura o uso de um restaurante para a lavagem do dinheiro desviado dos cofres públicos pelo grupo do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), sem que o proprietário do estabelecimento tivesse ciência do esquema criminoso. O proprietário do estabelecimento é concunhado de Aragão. Eme colaboração premiada, ele reconheceu que acertou com o ex-sócio de Adriana uma estratégia para não cumprir suas obrigações tributárias e trabalhistas.
Dessa forma, eles combinaram a simulação de serviços entre Ancelmo Advogados e o restaurante, para justificar a transferência de valores em favor do escritório de advocacia. Os valores eram utilizados para pagar uma folha paralela dos funcionários do restaurante. Os créditos do escritório de advocacia eram usados por Aragão, sem que seu concunhado soubesse, para a lavagem de dinheiro da organização criminosa liderada por Sergio Cabral.
O MPF narra que depois da deflagração da Operação Calicute, em novembro do ano passado, em que Cabral foi preso e Adriana, levada coercitivamente para depor, Aragão passou a tentar influenciar na disposição e conteúdo dos futuros depoimentos, incluindo declarações de seu concunhado, combinando versões e produzindo documentos ideologicamente falsos que pudessem ser apresentados às autoridades.
A pena em caso de condenação é de reclusão de três a oito anos, além do pagamento de multa.

